Mensagem do caboclo Sete Flechas em sessão de Pretos Velhos no dia 28 de fevereiro de 2026.


Graças a Deus.

Que a paz de nosso senhor Jesus Cristo esteja com todos esta tarde em que se reúnem em nome de Jesus. Disse ele a cada vez que duas ou mais pessoas se reunissem em seu nome que ele estaria presente. Aqui estamos nós, aqui estão filhos reunidos, tanto a parte material ansiosa pelos esclarecimentos ministrados a cada reunião que fazemos e a parte espiritual também na sua labuta de fazer-se presente para que a orientação chegue aos filhos de modo que os caminhos trilhados sejam congruentes, sejam harmoniosos para que possam chegar até lá, na esperada paz, na esperada evolução que é muito mais um processo do que um momento.

Assim como um médium não está pronto, o médium vai se preparando, vai se aprimorando, a sensibilidade é uma planta em eterna florescência. Há sempre novos brotos, há sempre perfumes a se exalar e assim é também a tão esperada evolução humana, jamais haverá fim, porque sempre há o que melhorar, sempre há o que aprimorar, o que descobrir.

O universo é tão vasto que várias são as possibilidades de moradas como também várias as esperanças a serem concretizadas, várias as opções de trabalho e inúmeras oportunidades para seguirem adiante. Então dizemos a todos vocês, nas horas de tristeza; trabalhem, nas horas de alegria; trabalhem, na hora da dúvida; trabalhem, na hora da raiva; trabalhem, na hora da solidão; trabalhem, na hora da depressão; trabalhem. Trabalhe porque o trabalho a que nos reportamos é a caridade, posto que fora dela não há salvação, já vos foi dito isto. Estas palavras não são nossas, mas importantes de serem assimiladas porque é a expressão de uma verdade.

Fora desse trabalho desinteressado de doação, difícil é encontrarmos um porquê de nossa existência e o porquê, de muitas vezes de nossas dificuldades. Sejam de relacionamento, sejam financeiras, sejam de que natureza for,  porque a caridade faz bem a quem recebe e transforma quem pratica em níveis muitas vezes desconhecidos pelo próprio praticante.

Quando desinteressada, quando feita no anonimato sem a expectativa de ser reconhecido, ela faz com que o tempo flua e ela faz com que percebamos que existem problemas outros tão mais intensos e profundos do que os nossos. E na medida em que o tempo passa, as nossas dificuldades vão se amenizando e entendemos que, muitas vezes, a vida se impõe a nós e nos traz desconfortos que são insolúveis, no primeiro momento, mas necessários para o nosso aprimoramento.

Então se o problema tem solução, nos esforcemos para soluciona-lo, mas se o problema não tem solução, entreguemos nas mãos de Deus e do tempo e aprendamos com ele, porque todos eles têm ensinamentos a nos dar e o caminho do aprendizado é a tão falada caridade, que muitas vezes o médium assume a sua roupa branca dizendo: “Eu vou botar a minha roupa branca porque eu preciso prestar a caridade”, imaginando que com isso, ao final de seu trabalho, começará a exercitar o voo dos anjos, mas esquecendo-se que essa caridade que ele precisa prestar, é muitas vezes para consigo também, é para com familiares e não somente para desconhecidos, porque é fácil ser simpático e compreensivo com quem não conhecemos. O verdadeiro esforço do caráter se faz quando encontramos dentro de casa, nos laços do sangue, aqueles que nos testam a paciência e nos testam justamente o amor que precisamos dar, porque é com eles que temos dívidas e a caridade se faz, principalmente, com aqueles com quem contraímos as dívidas.

Então que o trabalho mediúnico seja aquele que, na companhia de vossos guias, aprendam com o caminho que eles trilharam para que possam fazer com que a encarnação valha a pena ou tão somente serão cabides de guias. Guias que penduram em um cabide, que ele está ali para ser observado, mas com quem pouco vibram quando precisam exercitar a humanidade que ele precisa.

Que saibamos entender o trabalho da caridade é aquele que nos transforma, porque enquanto estamos somente praticando a caridade por obrigação, ela não é caridade ainda, ela é um esforço, ela é uma tentativa, mas a caridade transforma a criatura que a faz, muito mais do que aquela que a recebe. Ela desenvolve o altruísmo, ela desenvolve a fé, a confiança, ela desenvolve a esperança na criatura humana e ela faz com que laços, muitas vezes tênues, possam se estreitar, na medida em que conhecemos com quem trabalhamos e muitas vezes ela faz com que aqueles laços que já se desfizeram possam se refazer. Caridade, antes de tudo, é remédio para as almas endividadas com a lei.

Então que tenhamos a consciência de que sim, botamos roupa branca porque precisamos prestar a caridade, mas entendamos o que é esse precisar. Ela vem como lenitivo de todos os nossos compromissos e débitos que precisamos honrar, para que verdadeiramente possamos ser instrumentos de Deus. Enquanto estamos buscamos reconhecimento, não estamos praticando a caridade. Ela se faz de maneira anônima e expontânea, não somente dentro do templo, mas onde se faz necessária a nossa atuação. E aí entendemos que o silêncio, é caridade. Quando nos calamos para evitar maiores desconfortos ou quando levamos a verdade com carinho, também é caridade.

Que saibamos ampliar esse conceito de trabalho para que possamos ser efetivamente trabalhadores. Trabalhadores que se esforçam e que buscam a melhora. Tenhamos a consciência de que é nos laços de sangue que encontramos as principais desavenças e é nesses laços que precisamos concorrer para nossa melhora.

Que possamos abençoar todos aqueles que passam, que passaram por nossa vida levando o verdadeiro perdão, levando o verdadeiro amor, dando por eles a vida que precisamos dar por nós mesmos. São instrumentos de nossa melhor sim e nós as deles. Então que possamos nos igualar com toda a humanidade que nos cerca e tirar de nós a obrigação de sermos os melhores, os caridosos, os que servem de exemplo. Sejamos simplesmente humanos, buscando serem úteis para encontrarmos a paz que merecemos.

Graças a Deus.