Mensagem do caboclo Sete Flechas em sessão de Pretos Velhos no dia 16 de maio de 2026.


Graças a Deus e que a paz de nosso senhor Jesus Cristo esteja com todos nesta tarde, reunidos que estão em nome de Jesus.

E disse ele que a cada vez que duas ou mais pessoas se reunissem em seu nome, ele estaria presente. Aqui estamos nós reunidos em nome da caridade, então que a caridade se achegue até anos, que estejamos aptos a entendê-la. Todas as renúncias necessárias ao seu bem praticar, almejando tão somente o servir e o ser útil, posto que não há maior prazer para uma alma endividada com a lei, do que o servir. É através do servir que se quita débitos consigo, débitos com o outro, débitos que estejam pendentes. A moeda que sana a dívida da mente endividada é o fazer-se útil para que, através da utilidade, encontre que o tempo lhe seja favorável, seja abnegado professor, que a vida se faça plena de significados para que o tempo, o espaço de tempo, entre o berço e o túmulo, não seja carregado de dores e de ansiedade que o nada fazer presenteia a todo aquele que está em falta de sintonia com a própria vida.

Ninguém passa pelo mundo, tão somente para sua diversão, para apreciar o que é bom da vida. A vida é boa, a vida tem prazeres, o mundo material regala o espírito encarnado com sensações inimagináveis para quem está fora da matéria, mas essas sensações inimagináveis têm um propósito. Elas não servem somente para nos levar ao regozijo passageiro; elas visam exercitar a criatura no equilíbrio. Elas visam exercitar a criatura para que possa, através desse exercício de prazer e desprazer e busca por recompensa, entender que precisa fazer por merecer. Que precisa dar de si para que o bem se faça presente. Porque a consciência cobra resultados do seu possuidor.

A consciência sempre cobra. Não há juiz maior no mundo do que a própria consciência e é ela que vos cobra exatamente aquilo que falta e ela é implacável, porque enquanto não satisfeita, ela vos traz toda sorte de desassossegos que vos chegam através de mal estar físico, de cobranças emocionais. Enquanto não quitar os débitos com a própria consciência, o ser humano transitará entre o desassossego e a desarmonia. E ele entende que através do trabalho, da ocupação saudável do tempo e também tudo isso permeado pelo desenvolver do hábito do perdão, é que encontrará soluções para muitas das mazelas e dos seus sofrimentos.

Assim vamos aprendendo que todos somos endividados e que a ninguém cabe o julgamento de qualquer um outro. Cada um quite as suas dívidas para consigo e assim cada um viverá a sua vida e conseguirá transitar no mundo com maior leveza. Porque quando se arvora de juiz do outro estamos julgando a própria lei. Quando esperamos que alguém que está em débito com a lei pague pelos seus débitos, mas a própria lei sabe a hora de se manifestar na vida de qualquer um e duvidamos da justiça de Deus, achando “por que tal qual pessoa faz assim e eu sou sempre cobrado?” Estamos julgando a própria lei. Estamos nos colocando acima da lei, acima do próprio criador. Então isso também é uma postura de quem está em falta de sintonia consigo e com tudo aquilo que precisa viver. Se cada um quitar as suas próprias dores e dívidas para consigo, o mundo começará a sanear-se. Sanear-se da vaidade, do egoísmo, sanear-se das divisões de opiniões e começaremos a entender que cada um, ao seu tempo, quitará os seus próprios débitos e que não nos cabe apressar o rio.

O rio corre por si só. A natureza eclode onde é necessário, assim como a justiça, assim como todas as cobranças que a Divindade executa através das várias formas do carma já conhecidos. Então que saíamos do papel de julgadores da lei e passemos a ser mais receptivos às dores que nos chegam e que possamos compreendê-las e recebê-las com carinho para seguir adiante a nossa trajetória.

Dizemos a todos vós que a vaidade é a base de muitos problemas de vossa vida e muitas vezes não nos damos conta de como ela está presente dentro de nós e como que ela atrapalha o nosso crescimento e a nossa visão diante do mundo. Certa vez um grupo de religiosas estava responsável pela criação de uma horta para o templo ao qual serviam. E cada uma tinha o seu alojamento individual e cabia a cada uma cuidar de um canteiro que era contíguo ao seu aposento e cada uma cuidava das hortaliças, das ervas, de tudo ali que ali nascia com ordenamento, com tranquilidade, com disciplina.

E todas acordavam cedo e todas faziam seus afazeres e o horto de cada uma crescia servindo ao seu propósito. Até que um dia, em uma dessas religiosas, em seu canteiro particular, brotou uma erva de aspecto diferente, de cor exótica e de cheiro também muito particular. E todos perguntavam: “mas que erva é esta diferente? Por que essa erva desconhecida nasceu aqui?” E ela disse: “É porque eu cuido melhor do meu canteiro do que todas vocês. Isso é um regalo da Divindade que se apresenta através dessa formosura”. E assim a erva cresceu e as religiosas se encantavam com seu perfume, com suas cores, com suas flores e essa erva alastrou-se. Alastrou-se em seu canteiro, mas também sorrateiramente, suas raízes firmaram no solo e sorrateiramente infiltraram-se no alicerce de sua morada e enfraqueceu e a casa desabou. E assim foi o desenlace dessa religiosa que não cuidou do jardim porque uma planta diferente apareceu e ela sem julgamento, sem saber por onde nem porque, exageradamente cuidou de algo que ela desconhecia e foi justamente ali que veio seu trágico desenlace.

Assim é a vaidade. Ela chega sorrateira, ela chega nos acarinhando por aquilo que mais temos de frágil e vamos nos deixando envolver e quando se vê, ela entranhou em todos os nossos aspectos da personalidade e ela nos faz perder a nossa estrutura, ela nos afasta da realidade, ela nos desconecta de todas as outras pessoas. Então é importante começarmos a avaliarmos o nosso modo de ser, a nossa excentricidade. Se o nosso silêncio excessivo ou se a nossa fala excessiva, se o nosso melindre excessivo, tudo que é excessivo e exageradamente diferente de qualquer um outro, pode ser a vaidade se apresentando disfarçada e nos fazendo sentir os mais perseguidos e os mais incompreendidos e os mais e os mais e os mais. Todo exagero tem o dedo da vaidade.

Então que saibamos reconhecer que precisamos ser como camaleões, precisamos saber nos mimetizar no ambiente em que estamos, servir sem aparecer, ser útil sem alarde e assim conseguimos, imersos no mundo e onde quer que estejamos, servir sempre, dentro do nosso papel, apenas cumprindo o que nos cabe, melhorando sempre, aprendendo sempre, mas jamais nos impondo, não impondo a presença, não impondo a opinião, não impondo nada, recebendo, porque tudo que vem de Deus é justo e é bom e é belo.

Aprendendo isso confiamos mais e aprendemos mais e servimos mais.

Graças a Deus.