Mensagem do caboclo Sete Flechas em sessão de Boiadeiros no dia 17 de janeiro de 2025.


Graças a Deus e que a paz de nosso senhor Jesus Cristo esteja com todos nesta tarde, em que se reúnem em nome de Jesus, para mais uma oportunidade de exercício mediúnico, convivência com a espiritualidade que vos orienta, mas também o convívio entre si.

A sensibilidade mediúnica se dá não somente no intercâmbio entre desencarnados e encarnados, entre vossos mentores e vocês ou entre qualquer transeuntes do mundo espiritual que afinizem-se com vocês, isso a mediunidade também propicia. Uma grande oportunidade do desenvolvimento da sensibilidade é o convívio entre as pessoas, essa oportunidade de estarem reunidos com um propósito. Não basta estarem reunidos em um mesmo ambiente, não basta estarem andando juntos; é preciso comunhão de propósitos para que a sintonia se faça e para que possamos ter interesse pelo outro.

Se queremos aumentar a nossa sensibilidade; nos interessemos por todas as criaturas que respiram, por todas as criaturas existentes, não somente aquelas que estão dentro do nosso coração, mas por todas. Falamos toda a humanidade. Tudo que respira e que cresce é criação de Deus, até as pedras e os cristais são criações de Deus, porque à sua maneira também trocam energias com o mundo materializado, com o mundo manifestado. Então se o ser humano quer desenvolver a sua sensibilidade, não basta somente relacionar-se com quem gosta, é importante relacionar-se com todos e abrir a sua capacidade de entendimento, de preocupação com o bem estar do próximo e aí a sua sensibilidade aumenta, amplia-se e aumenta a sua consciência.

O que é o aumentar da consciência senão ampliar a sua capacidade de entendimento, até onde a luz da consciência abrange, até onde a luz da consciência chega, até onde a verdade que existe se faz presente para nós. O que são espíritos de luz senão espíritos com uma consciência ampliada de tudo aquilo que os cerca e eles conseguem compreender cada criatura e sua necessidade, porque as suas consciências também estão presente onde os outros  estão, no modo como entendem o mundo. Não é somente uma visão facetada, cortada, limitada. A consciência que se expande e que faz com que a sua luz clareie todos os âmbitos da existência, esses são os espíritos que vêm em missão ao mundo e que vêm trazendo a concórdia, a harmonia, o perdão, a doçura para que todos aqueles que se aproximam de sua luz, banhando-se nela possam pouco a pouco ir ampliando também a sua capacidade, porque o ser humano precisa ser exposto a almas do bem para que possam tornar-se do bem, porque se for só exposto ao que é violento, ao que é ruim, ao que é mesquinho, ao que é efêmero, a alma humana também se torna efêmera, somente respondendo a impulsos rápidos e muito práticos, mas pouco profundos na ampliação e na visão necessária à cultura universal de abraçar e de acolher.

Precisamos estar expostos a pessoas, a almas boas para despertar em nós o que há de bom que tão somente está em estado latente, adormecido, aguardando o desabrochar, a exposição a almas melhores do que nós para que nos alcem a níveis de consciência melhores. E aí profetas são enviados ao mundo, espíritos missionários são enviados ao mundo, tal qual Jesus o foi e tal qual tantos outros que arrebanharam seguidores, tamanho o seu carisma, tamanha sua capacidade de atrair para si pessoas que necessitam da luz, de serem orientados. O problema é que esses emissários vêm e vão porque não pertencem ao mundo; eles estão de passagem, deixam a sua mensagem, seus exemplos, ensinam coisas, mas se vão porque o mundo, não é um mundo para eles, o mundo é aonde eles trabalham e aonde nós habitamos, mas precisamos ser expostos a eles para despertarem em nós algo de bom e eles se vão. E o grande problema é que quando se vão sempre ficam aqueles que pensam que são donos da verdade e em cima da palavra deles, em cima da missão que construíram, criam dogmas e criam religiões, que aprisionam, porque o problema não é a religião, mas é a pessoa ficar prisioneira de dogmas, de rituais, de verdades que nem aqueles que os trouxeram professaram, mas necessitavam de um controle do pensamento humano, necessitavam um controle do comportamento da criatura, necessitavam criar castigos e prêmios, porque o ser humano ainda funciona nessa mentalidade de ser salvo e de ter um salvador.

Então é importante que se desperte que religião nenhuma está pronta para libertar a criatura. Ela é um caminho, mas não é o caminho, porque o caminho não é a religião, mas a espiritualidade, é o modo de entender a divindade, de entender as criaturas para que não sejamos reféns de pensamentos que restringem a nossa liberdade, a nossa capacidade de crescermos. Porque quando somente concordamos com aqueles que professam o nosso modo de pensar, estamos nos limitando, nos colocando em nós mesmos correntes que nos aprisionam, que em vez de nos libertarem nos fazem reféns de círculos viciosos que a nada levam. Então que aprendamos a ver todos esses profetas que passaram no mundo como missionários, como seres que vieram em abnegada missão, mas que a eles sim, compete e faz todo sentido, a verdade que professaram. A nós cabe olhar para eles como em um espelho, buscar ver neles a nossa imagem, encontrarmos nós também a nossa própria capacidade de libertação e assim daremos aos outros a liberdade de fazerem o mesmo e passaremos a exigir menos de cada um a coerência que não temos, a postura correta que não temos e as verdades que nós mesmos não acreditamos. Então que saibamos fazer da religião uma ponte, mas não um final em si, existe muito mais além do ritual, dos encontros de almas que em transe, encontram êxtase passageiro.

Que possamos ver além do que é aparente, que possamos ver além do que é o óbvio, encontrar a liberdade permitindo que possamos viver a humanidade que temos que viver e muitas vezes ela pode ir contra tudo aquilo que nos foi ensinado. Que tenhamos a coragem de romper as correntes do medo e sermos mais humanos, mais dóceis à vida, mais amáveis com os outros e compreendendo que a cada um compete limpar o seu próprio quarto para nele dormir tranquilo.

Então que tenhamos a nossa individualidade e a nossa responsabilidade por si preservadas, buscando sermos nós melhores do que nós mesmos e deixar que cada um cumpra com a sua missão, sem restringir pensamentos, sem nos restringir a sermos os que corrigem o mundo, corrijamos a nós porque aí estaremos vivendo o Cristo que pregou a liberdade que ele pregou.

Graças a Deus.