
Graças a Deus e que a paz de Nosso Senhor Jesus, o Cristo, esteja presente com todos nesta tarde em que se reúnem em nome dele.
Jesus, o Cristo, porque Cristo não é um sobrenome de Jesus, mas um título. Cada planeta habitado tem seu o Cristo, tem o seu governador, tem aquele que trouxe para aquele mundo a sua proteção, os seus exemplos. Cristo, o ungido, ele que tem autoridade para responder e orientar as almas que habitam aquele orbe. Jesus é o Cristo de vosso mundo. Quando nos reunimos em nome dele, estamos nos colocando debaixo de sua bandeira, estamos nos colocando sobre as suas orientações e é importante que saibamos o quanto de responsabilidade isso significa.
Quando nos colocamos debaixo de uma bandeira, quando juramos por algo, estamos nos comprometendo com aquela essência, com aquelas orientações, com aquelas verdades. Então é importante quando alguém se diz cristão, saber o que são os valores e quais são os valores da cristandade. Como nos dizemos umbandistas, quais são os valores que a Umbanda prega, para que possamos estar, de verdade, cumprindo aquilo que estamos jurando? Então debaixo da bandeira do cristianismo, pauta-se pela humildade, pela fraternidade, pela caridade, pela doação espontânea, pelo não apontamento dos erros alheios, pela assunção das falhas, das responsabilidades, sem com isso deturparmos a ideia de que precisamos estar o tempo inteiro em sofrimento e o tempo inteiro não sendo merecedores. Pelo contrário; Jesus sorria, Jesus brindava, Jesus celebrava, mas o mundo apegado ao sofrimento sempre desenha, traz a imagem de Jesus na cruz em seu máximo sofrimento, em seu máximo suplício. Mas Jesus brincava com as crianças, conversava com os idosos, atendia e acolhia os necessitados do mundo. Esse Jesus caridoso precisa ser redescoberto pelos cristãos, para que a sua forma de religiosidade torne-se mais leve, torne-se mais palatável aos trabalhos que o mundo anseia, para que deixemos de ser um mundo de expiações e provas e passemos a entender que também temos no mundo belezas e alegrias que trazem tanto ensinamento, como também o traz o sofrimento.
Aprende-se pela dor, mas também se aprende pelo esforço quando este é coroado, quando este traz resultados positivos. Porque o ser humano sempre espera que depois de muito sofrimento é que ele alcance algo que possa ser valorizado, mas precisamos insuflar nos seres humanos o que há de bom , o que há de belo. Expor o ser humano a coisas belas faz com que a alma busque cada vez mais o belo. Então que assim consigamos ir saneando a nossa forma de chegarmos a Deus.
Dizia Jesus a todos aqueles que atendia e que curava: “Vai e não peques mais”. Para que se possa, uma vez saneado das enfermidades, das suas mazelas, dizemos não só as mazelas físicas, mas também as morais, que tanto sofrimento também causam, tantos reveses na vida recolhem e que aprendemos com as palavras do Cristo com “Vai e não peques mais”, é de que tudo aquilo que realizamos, cria o carma e cria o retorno. Este conceito de pecado precisa ser ampliado não só para aquilo que é o pecado religioso, que atenta contra a moral, mas tudo aquilo em que deixamos de agir com propriedade, com seriedade, com responsabilidade. Quando negligenciamos algo, quando negligenciamos a saúde estamos pecando contra a saúde. Quando negligenciamos o atendimento a alguém que precisa de auxílio, seja ele de uma escuta ativa, seja um atendimento, estamos pecando contra a caridade.
Então o conceito de pecado vai além das repressões da sexualidade ou da gula, precisamos entender que o pecado é qualquer negligência que assumimos perante as responsabilidades da vida e todas as negligências sob estes pecados recaem sobre o ser humano na forma que a lei do retorno encontra de se fazer presente. Então há retornos que são desta vida , há retornos que são acumulados de outros tempos e cabe ao homem esmiuçar o que é desta vida. Se nessa vida pecamos, erramos e sofremos, Jesus ou seus mensageiros nos auxiliam, precisamos depois do auxílio, ir e não pecar mais, não voltar a recair nos mesmos erros, mas se muitas vezes temos problemas que se alongam nas teias do tempo e não têm respostas na vida presente, não adianta ficarmos buscando o porquê, tão somente compreender que a vida e seus efeitos se estendem além do túmulo e do berço. Então precisamos entender que se não entendemos agora, entenderemos depois. O que nos cabe é corrigirmos a postura. Se o remédio nos exige o perdão, perdoemos, se o remédio nos exige disciplina, nos disciplinemos, o importante é ir e não recair nos erros que nos prendem ao sofrimento e assim estaremos interrompendo os ciclos de dor a que estamos imantados pela teimosia, pelo egoísmo, pela vaidade.
Na base de todo sofrimento do ser humano, está a vaidade, está o ego inflado. Então todas as religiões sejam elas cristãs ou não, todos os profetas iluminados trazem ao mundo a missão: apaguem o ego, perdoem mais, sigam adiante. Ser como o sândalo que perfuma e o machado que fere, este é o caminho, não há outro. Não podemos medir a força de uma fé pelos efeitos materiais que ela traz. Efeitos materiais são fruto da vida material, do esforço, da inteligência do homem alavancando o progresso material, mas precisamos medir a força de uma fé pelos efeitos positivos que traz na moral da pessoa, na melhora enquanto ser humano e é ali que estamos vendo quão forte é aquela personalidade que insiste no bem apesar de tudo. A confiança de que o caminho do meio é o caminho que nos leva com menos chance do erro.
Então que possamos abraçar a responsabilidade de estarmos no caminho da correção. Aguardar que o tempo faça o seu trabalho, não apressar o rio, não apressar a divindade, ter a consciência de que a semeadura se faz necessária, mas há semeaduras que demoram mais para dar o seu efeito devido a necessidade de adubação da terra, do tempo, do amadurecimento do semeador e assim deixamos de exigir de Deus resultados que são efêmeros e vamos semeando nossa alma com os resultados que são duradouros e é a paz do espírito baseado na semeadura correta, baseado na postura correta e agradecendo e entendendo que não existe mal que seja eterno. O bem é eterno, mas muitas vezes nos afastamos dele pela descrença, pela pressa, pela vaidade e pela ociosidade. E o mal é passageiro. Todo sofrimento resulta do afastamento da linha reta do aprendizado e quando nos reaproximamos dela precisamos voltar a semear para seguir. Deus não é um Deus de castigos. Santo nenhum é santo de castigo. Orixás não são orixás de castigo, mas o ser humano ainda precisa aprender com os efeitos de suas falhas porque ele ainda é falho. Na medida que falha menos, ele entende mais, ele vai dando mais valor ao que é da espiritualidade, porque sabe que a matéria é passageira. Passe o tempo que passar, a matéria é passageira.
Então que saibamos aguardar, respirar com mais tranquilidade, confiar nos desígnios da espiritualidade, mas ao mesmo tempo fazer a nossa parte, ao mesmo tempo ir insuflando em nós a coragem e agindo como precisamos agir. Não existem atalhos para estarmos com a vitória que Deus nos dá. Deus não é um Deus de atalhos, Deus é um Deus de caminhos. Então que saibamos trilhar pelos caminhos que ele nos dá para que possamos pelos caminhos que ele nos dá, passarmos por todas as etapas que precisamos passar. Porque atalhos cortam etapas importantes do aprendizado e não valorizamos tudo aquilo que alcançamos, quando não passamos pelo que precisamos passar. Doa o que doer, precisamos passar por tudo que faz com que a nossa mente se identifique com o que é correto, bom e justo.
Se identifique com o que é justo, que traz a todos nós a segurança e a disciplina e assim conseguiremos no tempo necessário termos tudo aquilo de que somos merecedores. Não existe maior juíz do que a própria consciência, então uma vez agindo correto, a nossa consciência nos coroará com a felicidade de que somos merecedores e capazes de suportar e alcançar.
Graças a Deus.