
Graças a Deus e que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos nesta tarde em que se reúnem em nome de Jesus. Prometeu ele que a cada vez que duas ou mais pessoas se reunissem em seu nome, ele estaria presente. Assim tem sido desde os tempos em que reuniam-se escondidos, nas catacumbas, os cristãos. Reunindo-se em nome do mestre, discutindo os seus ensinamentos, buscando levar adiante a boa nova que havia chegado com ele.
Lembramos a todos que Jesus é mais um dos grandes mestres que vieram ao vosso mundo. Para o mundo cristão, Jesus é a figura máxima da religiosidade. Independente da seara em que se milite, de rituais diversos ou não, toda religião que se diz cristã, que postula seus ensinamentos através dos ensinamentos do evangelho de Jesus, tem nele a sua figura máxima, aquele que através da sua presença inunda o ambiente, o mundo com o seu amor. Mas Jesus, entre todas as almas de vosso mundo, foi mais um avatar, foi mais um emissário da espiritualidade superior, porque vários outros já estiveram entre os terrícolas e muitos ainda hão de vir trazendo a sua mensagem. De acordo com a cultura, de acordo com o povo, com o ambiente, com a necessidade, com o idioma a ser falado, com tudo aquilo que o momento social e histórico exige.
Avatares surgirão e todos serão mal interpretados de alguma maneira. Todos. Nenhuma de suas vindas será em vão, mas todos sabem que é impossível agradar a todos, é impossível se fazer entendido por todos, porque várias são as limitações do ser humano, no entendimento, principalmente, daquilo que é simples, daquilo que é básico, daquilo que faz parte da essência humana que ainda não se reconhece. Porque o homem adora deuses de acordo com a sua índole. Homens de amor, homens de bondade, de caridade, entenderam a mensagem de Jesus, mas homens ainda agarrados ao egoísmo, ao apego excessivo ao poder, a barbárie e a guerra e a truculência, não entenderam a sua mensagem. Assim como qualquer outro espírito iluminado que venha ao mundo far-se-á entender por aqueles que já estão preparados para ouvir a sua palavra, mas aqueles ainda arraigados ao egoísmo, ao poder, a ganância, a violência, esses não entenderão e ainda encontrarão defeitos, ainda encontrarão formas de atacá-los, porque o homem se aproxima de deuses que são a sua imagem e semelhança e não o contrario. Homens belicosos adoram deuses de guerra, homens vaidosos adoram deuses que são pura vaidade, homens cheios de rancor adoram deuses que espalham rancores, porque as energias semelhantes se atraem e haverá quem os adore, como haverá quem adore os deuses pacíficos e os deuses que trazem a verdade e a harmonia.
Então entendamos que cada um está em um momento evolutivo, mas nem por isso precisamos aceitar todas as idiossincrasias e desgovernos do outro. Precisamos fazer com que o nosso ambiente mental esteja saudável e equilibrado e para fazermos isso, precisamos estar em paz conosco e seguros daquilo que acreditamos. Porque se nos dizemos debaixo de uma bandeira que é cristã, precisamos viver de acordo com essa bandeira, para que todas essas energias sutis e salutares da cristandade não só estejam nos dando o suporte, o arrimo, mas também de nós transpassem e possam influenciar o ambiente, porque foi isso que Jesus fez. Bastava sua presença para que todos estivessem bem, assim como existem pessoas em vosso mundo que quando chegam, modificam o ambiente pela sua simples presença, porque trazem em si a segurança necessária, sabem que não tem o poder de mudar destinos, mas sabem que tem o condão de fazer de suas vidas aquilo que é necessário. Não se impõe aos outros, mas a sua maneira e a sua capacidade de aceitação do outro e também de aceitação de tudo que vem com a vida transformam uma alquimia saudável, todo o desassossego e toda amargura em aprendizado. Fazem com que um limão possa transformar-se em saboroso e refrescante líquido para saciar a sede e não apenas reclamam do seu azedume. Conseguem fazer das mais pequeninas adversidades, pequeninos degraus para irem alcançando mais conhecimento.
Porque a reclamação polui o reclamador e aquele que o escuta e todos em seu calvário. Jesus jamais reclamou, jamais disse que não merecia aquilo que lhe foi imputado e entregou-se com paciência a tudo aquilo que devia passar, não somente na sua crucificação, mas toda a sua vida foi exemplificação de agradecimento e de busca de bom humor. Porque sim, Jesus tinha bom humor, gostava de crianças, gostava dos idosos, gostava de estar em harmonia, lhe apetecia a mesa rodeada de amigos e sim, gostava de vinho, e sim, utilizava como forma de brindar, como forma de estar feliz, porque utilizava com equilíbrio.
Então não precisamos nos desequilibrar quando estamos felizes, muito menos quando estamos tristes, mas precisamos viver harmonicamente dentro de nossos limites e quando fazemos da reclamação uma bandeira, nos afastamos da essência daquilo que é cristão, que é a harmonia, que é a felicidade. Poluímos o ambiente interno e externo. Então transformarmo-nos em mananciais de equilíbrio, não de alegria falsa, não é isso, mas é fazer com que tudo que chegue até nós seja bem vindo. Tudo que vem através de nós seja um presente para o outro. Que possamos entender que sim, precisamos de momentos de reclusão, de silêncio, de reflexão, mas isso não combina com a carantonha, isso não combina com a tristeza, isso combina com sisudez, mas não poluamos os significados dos sentimentos e das atitudes. Aquele que realmente acredita em si, no seu potencial, este se faz presente e equilibra o ambiente e não faz das pessoas a sua oportunidade de um silício do outro. Não joga no outro responsabilidades que não são deles, mas a todo momento vai sendo o cadinho depurador do ambiente.
Assim é o médium. Não se espera que o médium seja um santo, não se espera que o médium seja um iluminado, mas se espera que o médium seja um portal e enquanto portal, ser responsável por canalizar aquilo que for necessário para aquele momento, naquele ambiente, para aquela pessoa, sem a mínima intenção de ser a revelação, sem a mínima intenção de ser o transformador, o curador, o solucionador, mas apenas,momentaneamente, o remédio que vai trazer alívio. Deixemos a cura para os iniciados dos mistérios da vida e da morte, deixemos a cura, deixemos as revelações para as Divindades, para Deus, Onipotente, Onipresente e que o médium encontre tão somente o seu lugar de pequenino grão de areia no deserto, de gotícula no oceano e assim ele estará engrandecendo o seu papel.
Humildade com alegria, sabedoria com simplicidade, transformação interna ao invés de exigências para o outro. Ser como a vela que se consome para iluminar o ambiente, sem qualquer expectativa de ouvir dizerem: “que bela chama”. Tão somente se doar e saber que acima da luz da vela existe o sol, que não compete com ela, apenas sabe que ela também tem o seu papel. Então sejamos pequenos para o mundo, mas grandes para os olhos daqueles que vamos levando alívio e lenitivo em suas vidas.
Graças a Deus.