Mensagem do caboclo Sete Flechas em sessão de Boiadeiros no dia 01 de agosto de 2026.


Graças a Deus e que a paz de nosso senhor Jesus Cristo esteja com todos nesta tarde e em que filhos se reúnem, como tantas as outras precedentes, para mais uma oportunidade de vossa experiência mediúnica, acendendo a responsabilidade do médium, enquanto portal, de ser ele mesmo portal e guardião do portal, do qual é portador, filtrando tudo o  que passa por ele, sendo o responsável por administrar as emoções, que se permite sentir, as palavras que permite veicular, tanto suas, como também daqueles dos quais é intermediário.

Então que seja uma tarde em que filhos possam honrar, mais uma vez, o compromisso mediúnico, o que é sempre decisão muito íntima, de desenvolver ou não a mediunidade, o ser ou não veiculador dessas energias, dessas mensagens e sabedores de que o ser porta voz, através da escrita ou da palavra da espiritualidade, não é a única maneira de servir mediunicamente. Na sua grande variedade, a mediunidade se faz presente em toda criatura existente e que se possa entender a responsabilidade desse domínio de ser portal entre um mundo e outro, para que se possa ser mais útil. Não ser apenas uma marionete e muito menos ficar refém das expectativas dos outros que se iludem, querendo, exigindo, que o médium saiba tudo, que o médium dê respostas a tudo, que o médium desvende, se infiltre no futuro e traga as respostas que ele precisa sem esforço. Então que possa o médium entender, ele é um servidor, mas não é um manipulador das energias que por ele comungam e aparecem. Que possa o médium entender que ele está ali para ser útil, mas o ser útil não significa ser servil ou obedecer a egoísmos e a vaidades tanto suas, quanto alheias. A mediunidade é mais uma oportunidade de crescimento ao qual está fadada toda criatura criada por Deus.

Toda a criação tem no futuro a evolução, tem no futuro a comunhão de todas as consciências despertas pelas experiências repetitivas, do mais simples organismo ao mais complexo, todos têm como destino a comunhão com o criador, a grande origem de tudo isso. E aí São Francisco de Assis chamava todos de irmãos, porque efetivamente somos. É a irmã natureza, é o irmão leão, é o irmão golfinho, é o irmão pássaro e assim todas as criaturas independente se com elas temos afinidades ou não, mesmo as criaturas peçonhentas são criações de Deus e todas são irmãs e cumprem o seu papel na obra da criação, no mundo manifestado e é destino de qualquer criatura existente o retorno à sua origem através da consciência desperta e daí temos a eternidade e temos a não pressa dos espíritos ascencionados neste retorno, mas não quer dizer que não estejam esperando que assim o façamos.

E nas criaturas dotadas da consciência, como são os seres humanos, através da família se encontra a oportunidade do crescimento. Temos então a família de sangue, a família carnal composta e ditada pelos laços da consanguinidade, pelos laços biológicos, pelas afinidades que a espiritualidade sabiamente consegue alocar espíritos afins ou muitas vezes antagônicos, para que através dos laços de família se exercite a tolerância, se exercite o aprendizado em conjunto ou se tenham oportunidades de alianças saudáveis através dos laços consanguíneos. É então a família sanguínea, aquela família que a espiritualidade ou a divindade, como queiram dizer, colocou junto por uma razão e por esta mesma razão, se deve aceitá-la, obedecê-la, acolhê-la, mas também não perder a individualidade no seu exercício de paciência, de autodomínio, de amor e de caridade. Lembrando que a caridade também é necessária ser entendida como uma via de mão dupla. A caridade não vai só para aquele que precisa, a caridade também retorna para quem a faz, porque é necessário que aquele que recebe saiba agradecer, saiba ser pacífico, paciente, suave para que efetivamente se consiga retirar daquele gesto, o aprendizado e o bem estar que precisa, o alívio de suas dores. Porque a caridade, aceita com soberba, perde muito da sua eficácia, porque a pessoa não está aberta para aquilo que precisa. A caridade é também uma via de mão dupla.

E temos também a família espiritual. A família é composta pelos laços de afinidade, aqueles que não se rompem e que extrapolam as barreiras da morte física, aquelas compostas por espíritos afins, que independente do tempo de separação estão sempre em sintonia e auxiliam-se, amizades verdadeiras, amores eternos que se transformam com o tempo e amadurecem. E temos a família religiosa. Temos a família do templo, que é um híbrido entre a família sanguínea e a família espiritual, posto que também é composta pelos laços de afinidade espiritual e moral dos que se colocam debaixo de um templo pelas similitudes de energias e de propósitos, mas ao mesmo tempo são pessoas diversas e que também podem ter ali antagonismos e é a família do templo, a família religiosa, uma grande oportunidade do exercício da caridade que vai e que vem. Entendedores que se estão todos debaixo de um mesmo teto que os abriga, algo ali os uniu e precisa se entender o que está os unindo, para que a partir desta oportunidade de união, possam dialogar com as diferenças individuais e fazê-las diminuir e fazer-se assim a higiene de si mesmo, a higiene da vaidade, a higiene do egoísmo, a higiene das dificuldades de relacionamento. Trazer a humildade mais a tona e fazer com que tudo funcione em prol de um propósito. Porque o futuro vos guarda, que é o retorno à fraternidade, à irmandade onde tudo inclusive a natureza vive em harmonia e dialoga. E assim é o exercício necessário para que todo ser humano possa despojar-se de tudo que atrapalha o crescimento.

Façamos das várias oportunidades de família os degraus e as ferramentas para seguirmos adiante. Se estamos na família sanguínea que saibamos respeitar as determinações da espiritualidade, da divindade, para que através dela possamos queimar o carma ruim e aumentar o carma bom. Que através da família espiritual saibamos extrair então ainda mais o apoio a força para seguirmos com os nossos propósitos, uma vez que nos levam para o caminho do bem e do equilíbrio e fazer da família religiosa a alavanca para nos impulsionar, nos catapultar ao destino de toda criatura através do trabalho, do exercício íntimo, da melhora interior. Sem pressa, sem imposições, mas simplesmente cooperando.

Que possamos ser cooperadores da melhora do mundo através das nossas próprias melhoras. Sejam as famílias, as células importantes que dignificam a criatura humana. Possa o ser humano observar cada pessoa que passa em sua vida como artesãos dele também, são como os cinzéis do artista, que vão lapidando a pedra, ora com toques mais amenos, ora com toques mais embrutecidos, mas todos melhorando a forma daquela pedra bruta e extraindo dali a obra de arte, que Deus espera, que sabe que ali está escondida a beleza. Que assim possamos extrair tambem nós, beleza de nós mesmos no convívio saudável e harmonioso.

Graças a Deus.