
Graças a Deus.
Bendito e louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Bendito e louvado seja todo aquele que trabalha sob a regência do amor, da caridade, da prática sem interesse, na distribuição de todo benefício a toda criatura necessitada.
Benditos e louvados sejam todos que, de dentro de si, permitem, que jorrem no mundo tão sequioso de trabalho com amor, aquilo que de melhor podem oferecer às criaturas em necessidade emocional, material. Muito mais do que de trabalhadores, o mundo precisa de trabalhadores que trabalhem com amor, não apenas cumprindo um papel, mas realizando o trabalho com a consciência de que estão exercendo um dever principalmente para consigo. Não com a consciência culpada, mas com a consciência tranquila daqueles que reconhecem e conhecem o seu papel e a sua missão. Que permitem que o conhecimento se multiplique e que permitem que o conhecimento seja remédio. Entendendo que debaixo do sol e da lua existe trabalho para todos. Aquele que não precisa ofuscar-se, mas simplesmente reconhece o seu próprio valor, assim como a humilde chama da vela que reconhece a potência da luz do sol e nem por isso deixa de brilhar, mas se une a enorme luminosidade, permitindo que a potência do sol banhe tudo onde ela mesma não tem condições de alcançar.
Não vivemos apenas para nós, vivemos em um mundo que anseia por relacionamentos saudáveis e conscientes da nossa interferência, não só no ecossistema, mas também nos sistemas emocionais e mentais, energéticos de toda criatura existente. Aquele que acende uma vela não se ilumina sozinho, a chama da vela ilumina tudo a sua volta, nossas ações repercutem no mundo, repercutem em nós, nossas palavras, nossos pensamentos, nossa postura, tudo se reflete e tudo é responsabilidade. Um médico formado, gabaritado, diplomado que não exerce a medicina não é um médico totalmente, não basta o conhecimento é preciso a prática saudável do conhecimento. Diferente daquele que reconhece que todo aprendizado segue ainda mais profundo após a sua formatura, é ali na prática que realmente inicia o aprendizado porque até então tudo que ele tinha era informação. Tenhamos a noção de que estamos sempre, com a graça de Deus, nas fileiras dos aprendizes eternos, independente da postura e da posição que ocupamos nas frentes de nossas batalhas, seja na vida religiosa, seja no templo, seja em casa, no trabalho em qualquer âmbito, em que a nossa personalidade atue, seremos sempre aprendizes, com a responsabilidade do que já sabemos, mas jamais completos, somos grandes ânforas que não possuem um fundo conhecido porque todo conhecimento sempre cabe e com ele amplia a nossa responsabilidade.
Seremos gratos pelo aprendizado que cada dia traz, pelo aprendizado que cada encarnação traz e que assim como se fôssemos, como se tivéssemos várias camadas, como uma cebola que a cozinheira habilmente vai retirando no seu trabalho na cozinha, cada encarnação, cada dia, cada experiência é oportunidade de nos desfazermos das várias cascas que escondem nossa verdadeira essência, aquela que se sintoniza com a divindade e nesse retirar constante vamos nos aproximando da simples faísca que faz parte do brilho do próprio criador. Tenhamos a coragem, a sensibilidade, a necessidade de aprendermos sempre, de seguirmos adiante reconhecendo em cada inadequação, em cada mal estar um pequeno desvio do caminho e a volta ao prumo faz com que entendamos que o caminho está traçado, os grandes mestres já o percorreram, basta que sigamos e todos falam a mesma língua.
Amar sem banalizar o amor, amar com simplicidade, amar com dignidade, amar com profundidade, dizer não às experiências rasas que nos limitam nos prazeres efêmeros da matéria, mas percebermos que para mergulharmos na profundidade das experiências, precisamos nos despir da prepotência, do orgulho e não permitir que a dúvida nos paralise, não permitirmos que a falta de fé nos engane, termos confiança no caminho já percorrido e em tudo quanto ele nos gabarita. Seja o amor um dos ponteiros da bússola que nos guia, amor simples, singelo, tranquilo, que não cobra, que não exige, mas que nos faz sensíveis às necessidades, nossas e do outro, que inegavelmente sempre serão as mesmas.
Que tenhamos trabalhadores, estudiosos, mas não somente os que cumprem um papel, os que cumprem o papel que lhes foi orientado e concedido com amor, com simplicidade.
Graças a Deus!