Mensagem do caboclo Sete Flechas em sessão de Pretos Velhos no dia 20 de junho de 2026.


Graças a Deus e que a paz de nosso senhor Jesus Cristo esteja com todos nesta tarde em que se reúnem em nome de Jesus. Disse ele que a cada vez que duas ou mais pessoas se reunissem em seu nome, que ele estaria presente. Segue o cristão reunindo-se em nome dele nas suas mais variadas formas de culto, na esperança da presença de Jesus.

E ele se faz presente, mas se faz presente quando há a verdadeira intenção do crescimento e do progresso. Jesus não coaduna com a vaidade, com a hipocrisia, com a falta de amor e a falta de amor ao serviço. Jesus serviu durante toda sua passagem na Terra. Exemplificou o serviço, buscava o serviço e assim deve ser o ser humano que se coloca debaixo da bandeira de Jesus. Vários profetas existem que encaminham os seres humanos e, todos eles, falam da importância da humildade, todos eles falam da importância de se colocar à disposição da criatura, seja ela qual for, da mais ínfima criatura e até a mais complexa delas, todas elas servem, todas elas têm o seu papel no mundo criado e no mundo manifestado e cabe ao homem entender que este papel também precisa ser exercitado, mas há pessoas que acomodam-se no ser servido e esquecem que até para ser servido é necessário saber ser servido.

Não basta somente aguardar que tudo se dobre à sua vontade, aconteça no seu tempo. Aquele que sabe ser servido compreende os ciclos do tempo, compreende o amadurecimento das coisas, compreende que a cada momento se pode ou se não pode esperar as coisas que acontecem, porque reconhece o tempo da natureza, o tempo do outro e todas as formas de tempo necessárias para que então a sua, o seu bem estar e a sua presença e a sua vida sigam fluindo. Aquele que sabe ser servido é aquele que já serviu, é aquele que segue servindo, é aquele que entende, que assim como os ciclos do nascimento e morte, do crescimento, envelhecimento e renascimento, ele sabe que até o ciclo do servir e ser servido se completam e se intercalam porque uma hora precisamos sim ser servidos, exercitar a face daquele que precisa valorizar o serviço do outro e também precisamos entender que a todo tempo servirmos.

Não há maior prazer pra uma criatura endividada com a lei, do que o serviço e assim seguiremos buscando o serviço. Buscando o serviço com altivez, buscando o serviço não nos colocando abaixo de tudo, porque também confundimos o servir com a subserviência e o excesso de humildade denota a mais pura vaidade. Aquele que serve sabe exatamente o seu papel, sabe o que pode entregar, sabe o que precisa, sabe as ferramentas que tem, se não tem, busca tê-las, mas também entende que existe um tempo para aprimora-las. Viver é um exercício constante do aprimoramento da sabedoria, que também se recicla a cada dia que passa, quando permitimos que os ciclos passem por nós e que nos renovem.

Sejamos dóceis à ação do tempo. E aquele que só quer ser servido, no momento em que se vê em situação que precisa agir, nada consegue fazer porque o pânico o congela, porque não tem o exercício gravado em sua memória muscular ou em sua memória neuronal e todas as memórias que o homem possui ele não consegue administrar, porque não exercitou. Então inclusive o servir nos capacita a sobreviver.

Que saibamos exercitar com dignidade a função do homem que é cuidar do outro. Cuidar da natureza, cuidar daqueles que estão em menor situação que ele, seja na inteligência, seja na vida financeira, seja no conhecimento. Quem tem mais é responsável por quem sabe menos e exercita o cuidado com o outro o tempo todo. Aquele que nada sabe fazer se cristaliza no ócio , mas aquele que consegue tirar de si as energias, as experiências para seguir servindo, esse floresce diante de si, diante dos outros e quanto mais ele entende que serve, mais ele entende que a felicidade está nessa ação, singela e silenciosa do servir.

Uns são flor de estufa que pode ser belo, pode ser inteligente, pode trazer algum conhecimento, mas quando os ventos da diversidade o impedem de seguir adiante ele precisa se cobrir, se proteger, porque o mundo não o compreende ou o mundo é um lugar muito inóspito para ele ou o mundo não o merece. Flores de estufa, belas e passageiras, efêmeras. Então que possamos ser como a planta singela chamada Maria sem vergonha, sejamos Marias sem vergonhas que florescem aonde podem, que não precisam de semeadura , que florescem o ano inteiro, de verão a verão, ela está embelezando os canteiros ou as margens das ruas onde quer que haja adubo suficiente, terra, lá está ela embelezando, símbolo da resiliência, símbolo da força de vontade, símbolo do carinho, porque a todo tempo floresce, oferecendo ao mundo cores, beleza, sensibilidade e delicadeza.

Assim é quem serve, que possamos aprender a sair das estufas que muitas vezes nos enclausuramos, nos bastamos, para que possamos servir com mais dignidade ao mundo e embelezar os caminhos onde quer que estejamos. Sejamos flores que se abrem, seja ao sol, ao sereno, a chuva, ao vento, mas que resistem ao tempo, que passam durante todas as estações se oferecendo prodigamente e fazendo com que o mundo seja um local melhor para ser habitado.

Graças a Deus.