
Graças a Deus e que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos nesta manhã em que se reúnem em nome da caridade.
Mais uma vez aqui estamos para mais um ritual anual de praia. Neste ritual em que trazemos a força do mar para que filhos possam fazer suas oferendas, fazer seus agradecimentos. Estamos agora em estágio de vosso entendimento em que se espera que filhos tenham mais agradecimentos do que pedidos a fazer. Porque na medida em que o ser humano amadurece, nem diremos na medida em ele evolui, mas em que ele amadurece, ele começa a perceber de que tudo que vem de Deus é bom, mesmo que ele não entenda.
Todas as leis físicas e químicas têm regência em vosso mundo. Se algo acontece fora do entendimento humano não é um milagre ou uma maldição, mas está obedecendo a leis que o ser humano ainda desconhece. Na medida em que a ciência avançar no seu conhecimento, se aproximará da espiritualidade e então o homem perceberá que o tempo inteiro lidou com idiomas, com linguagens diferentes, mas que falam da mesma coisa.
Então mesmo os acontecimentos da vida que vos levam a dúvidas ou a tristezas ou alegrias, tudo que a vida rege, tem o condão da espiritualidade e de Deus, de espíritos que comandam as leis do mundo. Então por mais que o desconhecimento vos assole, na certeza de que tudo que vem de Deus é bom e é justo, tudo que devem fazer é agradecer porque veio de Deus. E quando não vem de Deus, ele manda os seus emissários e ainda sim, vem de Deus, porque todos somos utilizados como instrumentos da divindade na vida do ser humano. Então as expressões que dizem que “fulano não é de Deus” ou que “essa coisa não é de Deus”, é uma blasfêmia, porque tudo que existe é com a permissão, é com a sabedoria, é com a consciência de Deus. Então saibamos lidar com tudo isso com naturalidade, porque se Deus é bom e é justo, ele fará sempre o bem pelos seus filhos. Qual é o pai que dá um escorpião para que seu filho brinque? Então a fé requer esta confiança, ao mesmo tempo a fé, precisa de raciocínio. O que Deus quer dizer com isso? Como eu posso lidar com isso? Porque se cada um aqui existe com a permissão de Deus, se Deus existe em toda parte, se Deus habita em cada um, a parte de Deus que habita em nós, precisa abrir-se para que possa nos guiar na estrada das dificuldades da vida e assim conseguimos nos sintonizar com Deus.
A prece é uma boa maneira de entrar-se em sintonia com Deus, o trabalho é uma boa maneira de encontrar-se com Deus. Tudo que é feito na simplicidade, lembrando que a prece não é uma sequência de palavras rebuscadas e decoradas, mas são os anseios da alma abrindo-se, desnudando-se para que possa sintonizar-se com Deus. O trabalho não é aquilo que alardeamos, o trabalho silencioso, este sim, nos coloca em sintonia com Deus, pois habita na simplicidade. Deus habita no choro que permitimos cair embaixo das águas do banho. Deus habita no sono quando nos entregamos e pedimos para termos pensamentos ao despertar que nos esclareçam. Deus habita na sintonia sincera, não na expectativa de que nossos desejos sejam realizados. Deus sabe de nossas necessidades, mas utiliza as dificuldades do mundo para forjar o caráter do homem. As dificuldades exercitam o caráter, mas como lidamos com a dificuldade, faz nosso caráter fortalecer-se. Então agradeçamos por tudo que Deus manda, ele sempre é bom, cabe a nós entendermos sua linguagem que a todo momento fala conosco.
E, hoje nosso ritual de praia, onde homenageamos, onde nos sintonizamos com Iemanjá, lembremos que Iemanjá é aquela que cuida da cabeça. Quem faz a cabeça é Oxalá, na sua forma de Ajalá, que molda a cabeça de acordo com aquilo que o ser humano já traz em suas várias vivências e a cabeça é moldada, não pela simples vontade de Oxalá para premiar uns com uma cabeça boa, outros com uma cabeça ruim, uns com destino bom, outros com destino ruim; Oxalá em sua sabedoria observa o que há dentro daquele espírito e a sua cabeça será moldada, para que possa funcionar de acordo com o que tem dentro. Então se queremos uma cabeça melhor, melhoremos e a cabeça se harmonizará. A porta sempre se abre por dentro e Iemanjá é aquela que cuida, cuida da cabeça que Ajalá fez.
Então que Iemanjá possa trazer tudo aquilo que ela conhece para harmonização dos Oris aqui presentes. Oris que se pacifiquem, Oris que se abram para o entendimento, Oris que se abram para escuta, para a visão, para a fala harmoniosa, Oris que precisam apaziguar-se, Oris que precisam despertar, que Iemanjá dê a cada um em obediência aquilo que cada um necessita, porque semelhantes se atraem, Iemanjá dará a vocês aquilo que é necessário para vossa cabeça. Então hoje, nessa comunhão estejamos mais aptos ao agradecimento. Chegamos até aqui, dona Iemanjá, que possamos então, a partir de hoje, termos os caminhos em sintonia com toda a justiça que buscamos.
Ao fazermos o nosso juramento em nosso batizado, ao fazermos o nosso juramento nos nossos rituais de quartinha, porque não precisamos recitar um juramento formal, mas a aceitação do batismo e a aceitação da quartinha é por si uma prece e um juramento. Então quando juramos diante daquele ritual e que nos abrimos para ele, selamos um pacto de coerência, para que possamos agir de acordo com o que aquelas forças representadas em nosso Ori estejam em harmonia. Orixá nenhum, entidade nenhuma abençoará a mentira, a discórdia, a hipocrisia, a vaidade, mas todo, todo orixá, toda entidade, que busca a elevação dos filhos na Terra, sempre vibrarão com o que for justo, com o que for pacífico, com o que for bom, com aquilo que nos encaminha, que molda o nosso caráter de uma maneira saudável. Então para tudo isso, não há tempo, não se conta nos ponteiros do relógio, mas se conta com a nossa capacidade de absorver tudo isso, conta com a nossa capacidade de sermos dóceis, aquilo que a energia responsável por nós, está esperando de nós.
Desenvolvimento mediúnico também é uma via de mão dupla, porque assim como orixá abençoa seu filho, seu filho precisa abrir-se para seu orixá. E abrir-se para o orixá não é apenas vangloriar-se de ser filho deste ou daquele, mas é perceber o que esta energia representa em minha vida. Por que este orixá me abençoa? Por que minha cabeça vibra com essa energia? Porque o orixá está a todo momento vibrando e enviando sua sintonia, mas o médium precisa também voltar-se para ele, abrir o coração para que possa, com essa energia, tornar-se um só, ser receptáculo, representar os valores nobres na energia daquele orixá. Porque xangô é justiça, mas Omulu também é. Iansã é liberdade,mas Nanã também é, todos esse valores de justiça, fraternidade, paz, harmonia, dignidade, saúde, todos esses valores passam pelas energias de cada um dos orixás, mas cada um com o seu teor, com a sua cor, com a sua vibração, com a sua intensidade. É por isso que não há quizilas, não há demandas na espiritualidade sadia, porque todos esses valores que induzem o ser humano à melhora, provém das mais variadas fontes das quais Deus se derrama e a partir daí entendemos que não importa se sou filho deste ou daquele, não importa se eu queria ser filho deste ou daquele, o que importa é que sou filho de alguém e uma vez sendo filho de alguém, agradeçamos, porque tudo que vem de Deus é bom e é justo e façamos o melhor que possamos com tudo isto.
Então que toda essa fala possa despertar em vocês a coerência, a vibração saudável com as diretrizes do nosso canzó, do nosso ambiente, desperte, não a obediência cega, mas a obediência consciente de que temos um propósito a fazer em nosso templo. Ele inicia pela melhora interna, pelo benefício ao próprio médium. Ele é um instrumento de caridade? Sim. Ele traz energias? Sim, mas ele precisa ser o primeiro beneficiado com tudo isso, para que estando bem, possa funcionar bem. Porque não adianta palavras belas enquanto mediunizado, bailar harmônicamente e ter uma postura envolvente, se é só uma maquiagem, se por dentro o médium não está bem. Ele precisa estar consciente de que a sua energia faz parte disso tudo. Então que o médium seja o primeiro a ser beneficiado com seu desenvolvimento mediúnico, assim como aquele que acende uma vela é o primeiro a receber a luz que vem dela. O primeiro beneficiado com a mediunidade é o próprio médium. Que ele entenda que esse benefício vem com o trabalho digno, com a humildade, com a dedicação, com a abertura do coração para todo conhecimento que venha de onde quer que seja, da alegria ou da dificuldade. São forjas que fazem de vocês instrumentos aptos ao trabalho.
Que o tempo seja generoso, que as experiências sejam professoras, que filhos possam ser dóceis a tudo aquilo que está por vir.
Graças a Deus.