
Graças a Deus filhos e que a paz de nosso senhor Jesus Cristo esteja com todos.
Mais uma vez, filhos se reúnem em nome de Deus para vossa prática mediúnica de terreiro. Mais uma vez filhos se reúnem em nome de Jesus e a sua promessa foi de que a cada vez que duas ou mais pessoas se reunissem em seu nome, que ele estaria presente. Então todo Cristão, como diriam filhos na Terra, com a letra maiúscula, todo Cristão, realmente Cristão, sabe que a cada vez que se reúne para algo bom, não apenas para si, mas quando realiza, quando se congrega, quando pensa no bem, quando constrói algo positivo; a figura de Jesus está presente. A figura de Jesus derrama sobre ele tudo que ele precisa para sentir-se capaz de fazer e, muitas vezes, as dificuldades ocorrem porque o mundo Terra é um mundo permeado por tortuosidades na estrada do ser humano, mas porque faz parte do mundo, não porque o ser humano tenha um azar demasiado ou porque tenha inimigos demasiados. A natureza da matéria densa, como é a vossa, recai em todos estes percalços de caminho.
Todos estes caminhos são nada mais do que oportunidades de progresso. Por mais que o ser humano se canse, por mais que o ser humano reclame, uma vez imerso na matéria densa, como é a vossa, encontrará, vez por outra, dificuldades e cabe a ele desenvolver a assertividade.
A assertividade não é a capacidade de acertar. A capacidade de acertar é outra coisa. A assertividade é a capacidade do ser humano de fazer com que as suas ações, que suas palavras, tudo aquilo que ele interpreta e busca ser no mundo, faça sentido, mas um sentido que traga soluções, que traga compreensão, que faça com que o mundo se transforme a sua volta. Porque a matéria, ela tende a abraçar a criatura, a fazer com que ela nela se entranhe e o exercício de sair da matéria, não apenas através do processo da morte, mas o exercício de vencer a materialidade, é um exercício de libertação de toda criatura que está imersa nela.
E aí o ser humano busca pensamentos que clareiem e ele não se deixa iludir, porque a matéria é ilusória. As facilidades, os prazeres, tudo isso faz com que o ser humano tenda a permanecer ali imerso e é o exercício de sair dela que é importante. E um deles é o exercício mediúnico, um deles é o reunir-se em nome de Jesus, porque aí, através da estrada que Ele já pavimentou, o ser humano tem condições de seguir exercitando esta boa vontade. E é nesse exercício que ele se fortalece, é nesse exercício que ele vai encontrando as respostas para os dilemas que ele vai encontrando na vida. A raiva faz parte de quem está imerso na matéria, o ódio faz parte de quem está imerso na matéria, mesmo que desencarnado, ainda vibra com elas. As paixões violentas, a animalidade, a preguiça, a falta de compreensão, o negar compreender o outro, tudo isso são vibrações da materialidade, que ensurdece e cega a criatura, mas na medida em que ele se esforça para compreender mais o outro, a colocar-se no lugar do outro é que ele exercita o perdão por mais difícil que seja.
E quando ele começa a se negar excessivos prazeres, que apesar de trazerem prazer, demoram na sua estrada evolutiva, ele começa a se libertar pouco a pouco dessas sensações materiais. Reconhece o seu valor, reconhece a sua importância, mas ele se liberta e começa a ter uma vida menos regrada pelas opiniões dos outros, porque até isso faz parte da materialidade. A pessoa muito preocupada com que os outros pensam de si está imersa na matéria, está envolvida pelos eflúvios da matéria. Quando ele se liberta das opiniões dos outros, quando ele se importa muito menos com o que pensam dele, mas busca a justiça, o altruísmo, a libertação, ele começa a se tornar mais leve. Então materialidade não é só o vício apegados às drogas ou ao sexo ou ao dinheiro, que muitos apontam porque também, enquanto apontamos defeitos nos outros, estamos imersos na matéria. E quando observamos tudo isso, percebemos que todos estão imersos na matéria e que precisamos todos do exercício da libertação que é a busca constante do aprimoramento, a busca constante, sacrificial, dificultosa de libertar-se desses vícios.
Os que não esquecem as mágoas, os que não esquecem as ofensas, que trazem traumas, problemas com o pai, com cônjuges, com amigos, com vizinhos, estão imersos na matéria, porque a matéria vos ilude. A matéria vos insufla à vaidade e à perda de tempo. Então exercícios diários de amor a si, nos libertam. Amor a si não é egoísmo, porque o egoísmo também é sinal de que estamos imersos na matéria. E aí começamos a ver que não podemos mais julgar ninguém e nem esperar por ninguém, porque também atrasar-se pelo outro, também é estar imerso na matéria.
O tempo não espera por ninguém, façamos a nossa parte, auxiliemos, demos exemplo, doemos de si, mas sigamos adiante, nos libertando efetivamente de tudo aquilo que não funciona mais, sem com isso deixarmos de praticar o que precisamos praticar, mas não nos atrasar. Abraçar o conhecimento que temos e utilizar em benefício do mundo, da coletividade. Abraçar a mediunidade como libertação e não como exercício de grande sensibilidade e exibi-la ao mundo. A mediunidade não é para isso, a mediunidade é porta, vós sois o portal, que escolhe o que passa por vós. Então que possa a mediunidade ser libertadora e não apenas exercício de mediunização. O que se sente mais, o que se sente menos, o que prevê mais, o que prevê menos. Quem sente mais, quem sente menos não importa. Abracem a mediunidade e sirvam, mediunidade é servir, sem ser servil.
Então que possamos irmos conscientizando e através dessas palavras percebermos que enquanto estivermos nos permitindo ser envoltos pela materialidade, patinaremos sem sair do lugar. Exercitar a mediunidade, com humildade através do serviço, vos liberta. Exercitar o perdão, por mais difícil que seja vos liberta. Ser útil a todo momento, vos liberta, não ser útil como queremos, mas perguntar ao outro, como, onde e quando posso ser útil? Porque isso é sinal de humildade e o outro dirá, preciso disto e nós diremos, isso eu não posso realizar, mas posso realizar aquilo e assim vamos encontrando os caminhos e os meios de nos libertarmos de tudo aquilo que nos prende, no passado e que nos prende no presente. Porque o presente também é aprisionador, assim como nos prendemos no passado, também nos prendemos no presente quando insistimos em não nos modificarmos e impormos as nossas verdades e a nossa forma de ser e de pensar ao outro. Jesus que é o caminho, a verdade e a vida, não se impôs a ninguém, simplesmente estava lá e servia como melhor podia. E assim que precisamos nos espelhar e vamos assim entendendo a parábola que várias vezes repetimos a todos vós e que hoje se faz necessária mais uma vez:
Havia um homem, um viajante, que passava por uma terra e percebeu homens que carregavam pedras. Aproximou-se de um homem e perguntou: “O que fazes?”
Ele disse: “simplesmente carrego pedras.”
Não satisfeito, perguntou a outro que vinha ao seu encontro: “o que fazes?”
Ele disse: “Trabalho para o meu sustento”.
Ainda não satisfeito, perguntou a outro que ia mais além: “O que fazes?”
Ele disse: “Carrego pedras, trabalho para o meu sustento, mas trabalho na construção de um templo que também será um hospital e que trará muito conhecimento e muita ajuda. Realizará curas e nos encontraremos com a divindade. Estou feliz por trabalhar nesta obra.”
E assim cada um pode se espelhar nestas três figuras.
. Quem sois no mundo, na vida e em vosso templo?
. Tão somente carregam pedras, porque outros disseram para carregar ou porque precisam carregar?
. Trabalham apenas para o vosso sustento?
. Desenvolvem a mediunidade apenas para si e para os que lhe são caros?
. Para ter contato com energias com as quais sentem curiosidade ou tem um propósito maior ou se imbuem de uma missão?
. Deixarão a sua marca no mundo?
. Quem de vós sois? Qual dessas figuras dessa história?
Assim somos nós no mundo, no templo, na família, em casa, em qualquer ambiente. Podemos apenas carregar pedras, podemos apenas ter interesse próprio ou podemos ter algo maior do que nós a nos movimentar. Um combustível que nos sustenta e que nos alimenta e nenhum deles está errado, cada um está em seu campo de ação em seu campo de entendimento, mas é importante que saibamos, quem somos nós, para que tenhamos a opção, a escolha e a coragem de ser quem somos ou de modificarmos.
Graças a Deus.
Maravilhoso