
Como estão todos?
Todos: Bem graças a Deus e o senhor?
Exalando simpatia. Assim precisamos ser, buscando ser como sândalo, que perfuma e o machado que o fere. Devemos ser todos um pouco de sândalo, porque a vida é um machado. Mas a vida não é sempre um machado. Tem hora que a vida é o barro. Tem hora que a vida é barro, para que possamos amassa-lo. Tem hora que a vida é o machado, tem hora que a vida é forno, tem hora que a vida é terra para ser semeada. E a vida pode ser tudo, a vida é tudo, cabe a nós sermos de acordo como ela se apresenta.
Das criaturas criadas, o ser humano é o mais complexo. A sua consciência faz dele um ser complexo. Ele boia entre o instinto e a razão e é exatamente neste exercício que ele fortalece a sua humanidade, o que é o seu papel ou ele sucumbe e permanece nas cadeias repetitivas, no Samsara.
Querem sair da roda do Samsara? Quer? Enfrente-se. Enfrente seus medos, suas dificuldades, assuma toda a sua humanidade e verás que fraquezas são ferramentas escondidas.
Tudo é válido debaixo do sol ou da lua, porque tudo existe com a permissão do grande arquiteto. Se não existe é porque não era útil, mas até a vaidade que vos consome, é necessária, mas tem que ter a dosagem perfeita para não transbordar e poluir a vossa essência.
Aprendam com as grandes cozinheiras e cozinheiros, que adequam temperos exatamente na necessidade do cozimento. Saborosos doces tem um pouquinho de sal para despertar o sabor. É como a vaidade, em uma personalidade, um pouquinho só, para fazer valer, para reconhecermo-nos como úteis e necessários, mas não o tanto que nos tire o sabor e que nos impeça de viver com os outros. Esse equilíbrio, essa alquimia é o exercício que no boiar do homem, entre a animalidade e a consciência, ele vai seguindo. Exercitem sempre, sabemos que essa maestria é difícil de ser alcançada, nós também a praticamos, nós também exercitamos. Um pouquinho mais adiante de experiência, mas ainda assim, todos sob os olhares e quanto maior o conhecimento, maior a responsabilidade, quanto maiores somos mais difícil é a queda, se ela vier a acontecer, mas se assim acontecer é porque ainda estamos no Samsara, ainda estamos na roda repetitiva e devemos (ousadamente) nos enfrentar, todos sairão. Todos sairão da roda repetitiva, mas é o exercício constante do apagar-se e do reacender-se que fará de nós seres melhores.
Não tema o futuro, o futuro será exatamente aquilo que estamos fazendo hoje, a sua consequência. Então por isso, não se apeguem ao passado, retirem dele a experiência, mas não repitam emoções que já devem estar sepultadas. Essa necessidade de apegar-se ao passado é porque ainda não reconhecemos quem somos, nos apegamos a dores e a prazeres antigos, que já não nos apetecem tanto, não servem tanto, como roupas que estão curtas, como sapatos apertados. A criança cresceu e aqueles sapatos estão inadaptados para que ela vá a escola, incomodam os pés, tiram sua atenção do estudo, porque os pés doem. Assim é o passado. Quando nos apegamos e precisamos estar na escola do mundo, se necessário for, vão descalços, calejem o pé, trabalhem. Trabalhem, que estarão aptos para comprar os sapatos que quiserem, mas não se apeguem a roupas antigas, a crenças antigas, tudo cresce e evolui, essa é a lei.
Tudo evolui, os rituais, as religiões, os sacerdotes, os médiuns, as pessoas, o mundo. É nosso papel nos desvencilhar do que não funciona mais.
Renovação, que a renovação venha. Ela nem sempre é pacífica, mas ela sempre renova. Aprender com os erros e cometer novos. Cometer novos. Saber desculpar-se, saber desculpar, mas com a certeza de que quando estamos escrevendo e precisamos rabiscar toda hora ou apagar o que escrevemos, algo está errado com o escritor. E assim vamos entendendo, folhas sempre existirão para serem escritas e a sabedoria, o grande manancial, está aí para ser aproveitado.
Sigamos com harmonia e com paz.