
Graças a Deus filhos.
Graças a Deus e que a paz de nosso senhor Jesus Cristo esteja com todos nessa tarde. Mais uma oportunidade em que se reúnem em nome de Jesus para o exercício mediúnico através do ritual da Umbanda, religião que escolheram como vossa diretriz.
Possam honrar as diretrizes que a Umbanda tem, que busca nivelar os seres humanos, para que nivelados, igualados, assim se pode dizer, possam seguir servindo de acordo com aquilo que têm a oferecer. Possa a Umbanda, na sua capacidade aglutinadora, tal qual Jesus ensinou na sua passagem pelo mundo, em que extraia de cada ser humano o que ele podia oferecer e por isso que transformou homens, pescadores, artesãos, que não eram letrados, mas que neles foi vista a capacidade da obediência, da absorção dos valores, que Jesus precisava para seguir pregando e construir em volta de si, o grupo que levaria a sua palavra.
Assim segue a umbanda, aglutinando pessoas, buscando que cada um dê o seu melhor. Cabe então ao ser humano dar o seu melhor. Necessita o ser humano, que é umbandista, funcionar como um camaleão. Que faz o camaleão? Mimetiza-se, não se impõe à paisagem onde está. Possa o umbandista buscar no camaleão o exemplo para seguir servindo sem ser visto. Não basta simplesmente não cobrar e nem alardear os seus feitos, precisa que as suas atitudes sejam também de forma que se iguale a todos, não diferenciando-se em nada do grupo ao qual pertence. Precisa ser mais um na multidão, para que não se imponha, para que a sua imposição venha justamente da falta dela, da sua natural disponibilidade para a humildade. Então ele não critica, ele exemplifica, ele não aparece, ele se mescla, ele não busca ser servido, ele serve.
E é isso que se espera do médium que busca através da umbanda ser veículo de energias da natureza, de entidades que levam sabedoria a todos, através da exemplificação da palavra. Então que possamos refletir sobre a nossa postura para que possamos efetivamente estar dentro da paisagem, onde precisamos estar, onde nos colocamos e servir com alegria, com disciplina, com humildade, observando sempre, o que passa ali dentro. E gradativamente inserir modificações que venham pela sua postura e não pela sua necessidade de ser diferente. Então saibamos servir a umbanda primeiro, antes de querer que a umbanda nos sirva e assim seguiremos na nossa trajetória.
E reflitamos também sobre a figura mais humana que esteve entre os apóstolos. Aqui falamos de Jesus conclamando seus apóstolos. A figura, que sem a qual, pouca relevância teria a vida do próprio Jesus, seria mais um profeta, mais alguém que fazia milagres, mas a figura de judas revolucionou a passagem de Jesus na Terra. A figura daquele que é visto como algoz, que ninguém reverencia e que não colocam seu nome em seus filhos. Para aqueles que gostam de dar nomes de Santos a seus filhos. E Judas, a figura que fez com que a trajetória de Jesus e os seus feitos ganhassem proeminência.
Quantas vezes nós não funcionamos como judas ao longo de nossa vida? Quantas vezes não compartilhamos o prato onde molhamos o nosso pão no azeite, temos a intimidade com os nossos semelhantes e quantas vezes os magoamos? E quantas vezes não nos magoam, quantas vezes não colocamos expectativas demasiadas em cima dos outros e eles não estão ali ou não podem corresponder a estas expectativas? Quantas vezes fantasiamos o que esperamos que aconteça e somos surpreendidos pela desilusão. Porque nossas expectativas estavam além dos planos da vida, da espiritualidade e da própria pessoa. Quantas vezes traímos, não só com um beijo, mas com o silêncio, com a omissão? Então sim, judas tem uma representatividade enorme, quando o homem busca espelhar-se nele para que possa a partir da sua figura saber direcionar-se, honrar a amizade, honrar a família, honrar compromissos e ter expectativas adequadas ao que se espera de nós. E quantas vezes as pessoas que mais nos ferem são aquelas que mais nos ensinam e a partir dela nós impulsionamos ao progresso como tal qual Jesus, sabemos perdoar, sabemos seguir adiante, reconhecer o papel de cada pessoa em nossa existência.
Então louvemos a humanidade de quem erra, que busquemos em nós a humanidade que precisa reconhecer, que nós também somos passíveis de erros e que o amor de Deus cobre todos os pecados. O que não significa que devemos seguir errando, mas que devemos sim, nos perdoarmos, perdoarmos os outros e seguir adiante, porque esta é a roda da vida. As engrenagens da vida se movem azeitadas pelo óleo do perdão.
Que saibamos utilizá-los com harmonia, com generosidade para que assim consigamos funcionar no mundo, fazer o mundo girar, porque ele girará de qualquer maneira. O tempo nos impulsionará, nos arrastará ou nos acompanhará, dependendo da forma como lidemos com a vida e com o tempo. Porque essa é a lei, o progresso é lei. Acompanhemos, aceitemos, nos modifiquemos e sigamos adiante com amor de Jesus no coração.
Graças a Deus.