
Graças a Deus filhos e que a paz de nosso senhor Jesus Cristo esteja com todos nesta tarde em que se reúnem em nome de Jesus para mais um exercício de vossa mediunidade, e exercício de vossos canais de comunicação com o mundo espiritual.
Lembramos a todos que a mediunidade por si, não é acesso à paz de espírito, não é acesso à luz dos divinos emissários de Deus. Mediunidade é porta aberta, mediunidade é portal, é meio de comunicação e cabe ao médium eleger que energias transitam pelo portal, do qual ele é portador.
Tal qual em nossa casa em que selecionamos quem entra, quem pode participar de nossa intimidade, os acessos restritos a este ou aquele; assim é a mediunidade. Não basta ser médium para estar envolvido em energias angelicais. O próprio médium, o próprio ser humano, dotado da sensibilidade, a sua aura, o seu momento, seus pensamentos, tudo aquilo que veicula e com o qual se sintoniza, dão o teor da classe de companhias que a ele terão acesso.
Então é importante assumir esta responsabilidade e não se autodenominar, iluminado, portador de asas que ainda nem nasceram. Sejamos, antes de tudo, seres humanos, porque a mediunidade grassa em toda criatura humana. Ela é o contato com o mundo espiritual em suas mais variadas expressões, onde a incorporação é mais uma delas, mas o que dá o teor, o que dá valor, o que dá qualidade numa veiculação mediúnica é a classe de sintonia que o médium se permite fazer. Porque toda obra artística tem a influência das energias que aquele artista veicula e por aí vemos obras de bom gosto e obras de gosto duvidoso. Ele é um canal e se associa à mentes que com ele comungam e dele é também a responsabilidade pelas obras que influenciam o mundo. E assim é qualquer classe de exercício mediúnico, cabe ao médium ser o selecionador daquilo que ele está veiculando e isso é diariamente; não é somente dentro de um templo, com seu uniforme, com suas guias, porque ali é fácil sintonizar-se com a divindade. Momentaneamente ele abre a sintonia para coisas mais sutis, mas ainda assim será carregado do pouco conhecimento que se permite ter, sobre as coisa de Deus. Isto é o início, é o ensaio do contato com algo maior do que ele, mas ainda assim limitado pela sua incapacidade de vibrar mais alto, mas é um exercício.
Então é importante essa responsabilidade ser assumida, para que o médium pouco-a-pouco vá se desvencilhando da animalidade, da frivolidade, da brutalidade e vai envolvendo-se pouco-a-pouco, assim como disse Paulo: “quando era criança entendia coisas de criança, comportava-me como criança, mas na medida em que cresço, deixo para traz as coisas de criança e começo a assumir as coisas do homem”. Assim é o médium, enquanto está na infantilidade da sua vibração, na infantilidade do seu pensamento se associa a energias vulgares, mas quando começa a perceber a responsabilidade que é a mediunidade, começa a dar novo teor e deixa para traz as futilidades, os assombros, as vaidades e começa a perceber que mediunidade é muito mais sintonia do que beleza física, do que aparato.
Enquanto antigamente o médium precisava de aparatos, de apetrechos para sintonizar-se, na medida em que vai permitindo a sintonia mais fina, entende que é o pensamento, é a boa vontade, é o amor pela humanidade que o faz sintonizar-se com as energias, com as consciências superiores. E daí vem um sábio de vosso mundo e diz: “que a paciência é a mais nobre e gentil das virtudes”.
E é verdade. Porque na medida em que desenvolvemos a paciência caridosa, entendemos o momento do irmão ainda sofredor e engatinhando nas coisas de Deus. Foi isso que fez Jesus em seu tempo. A humanidade engatinhava em conhecimento, em expressões de amor e Ele se fez pequeno, para os pequenos, para que pudessem entender o seu chamado e é assim que devemos nos comportar, porque a paciência é a mais nobre e gentil das virtudes.
Então quando um médium diz para o outro, ou quando expressa-se do alto do seu atual conhecimento e diz: “não tenho paciência para isso”; não está sendo gentil. Não precisamos compartilhar com a falta de conhecimento ou com a brutalidade do outro, mas precisamos nós, sermos o exemplo para que possamos atraí-los e entender que um dia estivemos no mesmo estágio evolutivo e isso nos faz responsáveis, porque quem sabe mais é responsável por quem sabe menos, como quem tem mais é responsável por quem tem menos.
Então que saibamos desenvolver a paciência, mas não a paciência complacência, que tudo permite, mas a paciência educadora e que diz com amor: “Isto não cabe mais em seu estágio de conhecimento”. Porque é assim que vamos arrebanhando a simpatia; através do exemplo e da cooperação de tanto encarnados como desencarnados. A luz do sol espalha-se pelo mundo e ofusca todas as outras, mas jamais compete com a luz da vela ou com a luz incandescente e artificial criadas em vosso mundo. Todas coexistem e assim devemos ser nós. Espalhando nossa luz, mas respeitando a alheia e entender que todas contribuem para o clareamento das estradas e cada uma a seu tempo, ao seu momento, com a sua utilidade embeleza o caminho. Então que tenhamos mais paciência, não complacência, mas mais entendimento pelas criaturas que nos acompanham o caminhar. Esse é o nosso papel.
Ser médium vai além do incorporar, vai além do uniforme, ele caminha com o entendimento da criatura , ele caminha com o estar sendo útil, para que possa ser feliz, porque não existe maior felicidade para espíritos endividados com a lei do que ser útil e quando deixamos de lado a paciência para nos enclausurarmos na nossa sabedoria, que ninguém entende , deixamos de ser úteis e deixamos de ser felizes.
Graças a Deus.