
Graças a Deus e que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos nesta tarde em que se reúnem em nome de Jesus, porque disse ele que a cada vez que duas ou mais pessoas se reunissem em seu nome, ele estaria presente.
Aqui estamos nós debaixo da bandeira cristã e seguindo os rituais da religiosidade de nosso templo, tendo Jesus no alto de nosso altar, simbolizando a sua hierarquia, o farol para onde devemos nos reportar. A sua moral e sua conduta, seus ensinamentos se derramam, cascateiam-se dele através de todos os guias que representam nosso templo e todos exemplificam a moral cristã, que prega o perdão incondicional, que prega o amor fraterno, que prega o respeito, que prega a comunhão, a fraternidade, a não separação, o não ócio, a manutenção da paz.
Entendendo que paz não é sinônimo de ociosidade, nem de preguiça, nem de nada fazer. Pelo contrário, a paz requer trabalho constante para que seja mantida, a observância diária da nossa conduta, de nossos pensamentos congruentes com ações e palavras para que então a paz se faça. Porque a paz advém do dever cumprido, da consciência tranquila com tudo aquilo que se professa, tudo aquilo que em que se crê. Sabendo-se que precisa, vez por outra, lutar pela sua manutenção, precisa resolver problemas, precisa, muitas vezes, ir nos antros onde haja trevas, para que possa esclarecer e tudo isso faz com que aquele que busca a paz, haja como disse Jesus: “ser dócil como a pomba, mas inteligentes como a serpente”. Não confundir a bondade com a ignorância, o não saber, o desconhecer como se o bom fosse aquele que desconhecesse o mal; pelo contrário, precisamos conhecê-lo, para que possamos contra ele lutar. Não precisamos praticá-lo, não precisamos estar coniventes com o erro, mas precisamos saber que ele existe para justamente por isto, nos afastarmos dele ou coibi-lo e assim ser representante das consciências lúcidas no mundo.
Bondade e passividade não quer dizer ignorância e muito menos inércia. A inteligência precisa servir ao bem também, para que possamos, com assertividade, nos movimentarmos no mundo e assim deixarmos nossos rastros de seres humanos do bem. Porque seres humanos sempre deixam rastros, mas que tipo de rastros estamos deixando no mundo? Animais na natureza criam os seus territórios, fazem marcas nas árvores, nas pedras, urinam ou arranham de modo a demonstrar onde habitam, quais são os limites do seu ambiente. Essa é a vida animal, mas como o ser humano deixa rastros no mundo? Como que o ser humano, assim como os animais, delimitam os espaços aonde atuam? Com a sua postura, com os seus atos, com a sua palavra. Pensamento e ação agindo juntos e não se permitindo a manipulação, seja por que via for, e assim estamos marcando o nosso território. Não fazendo pactos com o que é errado, com que julgamos errado e assim assumindo a responsabilidade por aquilo que professamos. É isso que se espera de qualquer pessoa sã e que precise passar no mundo de forma em que deixe a sua mensagem.
E entendemos com isso, uma vez que temos o dom da consciência e que temos o dom da palavra e que estamos no mundo para deixarmos as nossas marcas, vamos nos lembrando das assertivas do próprio Jesus que disse que os sãos não precisam de médico e é por isso que Jesus não estava preso aos templos, às sinagogas ou aos doutores da lei. Estava justamente no meio do povo que precisava. Abraçava e curava leprosos, estava junto com adúlteros e adúlteras, estava sempre no meio aonde era necessária a sua presença pra exemplificar. De que adianta trocar ideias e ser exemplo para quem já sabe quem somos, pra quem é igual a nós? Isso fortalece a nossa essência, mas pouco traz de ação prática no mundo. Precisamos ir ao mundo e precisamos ser exemplo e precisamos estar a todo tempo atentos para atender a qualquer um que precise e não só aqueles que comungam do nosso pensamento.
A diversidade é necessária para que haja opções, para que haja escolha e para que haja crescimento. Porque ninguém cresce sendo flor de estufa, dentro de um ambiente que lhe é agradável e qualquer adversidade faz com que se deteriore. Importante sermos da natureza selvagem e bravia que cresce apesar de todas às intempéries e de todas adversidades e consegue dar frutos. Essa a importância de sermos fortes em nosso caráter, em nossa constância no bem e nas práticas de tudo aquilo que cremos para que o bem não seja oprimido, mas também não precisa calar os outros. Todas as pessoas precisam ter voz, todas as pessoas precisam expressar-se, mas precisamos entender que somos responsáveis por aquilo que falamos, que praticamos, que expressamos, a partir daí assumimos as consequências.
Esse é o termômetro exato para o bom crescimento e assim conseguimos, assumindo as responsabilidades, entender qual é o melhor caminho porque os opostos, os extremos, sempre serão perigosos. É importante seguir, como disse Jesus, o caminho do meio, a porta estreita, porque aí teremos limites, aí teremos consciência, teremos opção e teremos mais congruência de ações.
Então se os sãos não precisam de médico, é importante eu entender a assertiva da oração de São Francisco de Assis que é o juramento que filhos fazem todas as reuniões que se iniciam em nossa templo. Exatamente uma frase completa a outra: que sejamos luz aonde há treva. De que tipo de luz e de que tipo de treva estamos falando? Que possamos ter lucidez, entendimento onde haja qualquer resquício de falta de compreensão, de insanidade. Que eu possa levar alegria aonde há tristeza, mas que tipo de alegria estou sendo? Então tudo isso precisa que estejamos pensando: Que rastros estamos deixando no mundo? Como seremos lembrados? E a responsabilidade por tudo isso. Porque o passado ninguém muda, o presente vivemos e o futuro será aquilo que faremos hoje, mas aprendamos com o passado e olhemos que tipo de marca deixamos, para que possamos, enquanto ainda há tempo, melhorar as marcas que deixamos. E com mais lucidez e com mais carinho por si, viver no mundo em sintonia com aquilo que nos é caro, com aquilo que nos fala ao coração e aquilo que nos alimenta o coração.
Porque o ódio por si, a mágoa por si, a carência por si e a pena por si, não alimentam o coração de ninguém, são fases da vida, mas precisamos nos soerguer, sacudir o pó das sandálias, sacudir a poeira dos cabelos e dos ombros e alimentar-se com o autoamor, com trabalho, com fé sadia, para que assim, com o coração alimentado, sigamos adiante com paz.
Graças a Deus.