{"id":4822,"date":"2016-05-05T01:01:53","date_gmt":"2016-05-05T01:01:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cejv.com.br\/site\/?page_id=4822"},"modified":"2016-05-05T01:01:53","modified_gmt":"2016-05-05T01:01:53","slug":"estudo-sobre-dona-magdalena","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.cejv.com.br\/site\/index.php\/estudo-sobre-dona-magdalena\/","title":{"rendered":"Estudo sobre dona Magdalena."},"content":{"rendered":"<p>Estudo sobre dona Magdalena.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dando continuidade aos estudos do ano de 2016 vamos falar sobre dona Magdalena, entidade que faz parte da c\u00fapula espiritual do CEJV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Dona Magdalena vem realizando junto ao m\u00e9dium Nilton de Almeida Junior, um trabalho de dedica\u00e7\u00e3o e carinho auxiliando cada um de n\u00f3s\u00a0 na reforma intima que \u00e9 um processo essencial\u00a0 para a nossa evolu\u00e7\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Dona Magdalena nasceu no per\u00edodo da Guerra de Sucess\u00e3o Espanhola (1701 &#8211; 1713), \u00e9poca de disputas por tronos e dom\u00ednios coloniais na Europa, \u00e9poca tamb\u00e9m da inquisi\u00e7\u00e3o dirigida pela Igreja Cat\u00f3lica, que teve mais for\u00e7a nos pa\u00edses de Portugal, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Espanha. A Inquisi\u00e7\u00e3o espanhola \u00e9, entre as demais inquisi\u00e7\u00f5es, a mais conhecida. \u201cA persegui\u00e7\u00e3o levou a uma intermin\u00e1vel ca\u00e7a de hereges\u201d (pessoas contrarias \u00e0 doutrina da igreja).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela \u00e9poca o \u201couvir dizer\u201d e \u201csuposi\u00e7\u00f5es\u201d eram consideradas provas. Quando um indiv\u00edduo era denunciado, um funcion\u00e1rio da inquisi\u00e7\u00e3o chegava seq\u00fcestrava tudo que o suspeito possu\u00eda e a fam\u00edlia ficava na rua sem abrigo, as crian\u00e7as \u00e0 merc\u00ea da caridade dos vizinhos. Os principais alvos da Inquisi\u00e7\u00e3o foram judeus, mu\u00e7ulmanos, ciganos e todas as pessoas que n\u00e3o fossem cat\u00f3licas eram alvos da inquisi\u00e7\u00e3o, torturadas e queimadas vivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dona Madalena nasceu no dia 31 de mar\u00e7o de 1704, na fronteira entre Portugal e Espanha. Seus pais eram ciganos. Aos 5 anos de idade, j\u00e1 apresentava um comportamento diferente das outras meninas que brincavam de bonecas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Herdou a meiguice de sua m\u00e3e mostrada no gesto e na fala, mas n\u00e3o se interessava pelas atividades femininas como lavar, cozinhar e atividades de donas de casa em geral. Preferia a companhia do pai e as atividades masculinas como cuidar dos animais, consertar coisas e afiar ferramentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos sete anos de idade, dona Magdalena come\u00e7ou a apresentar sua sensibilidade medi\u00fanica: \u201co dom da vid\u00eancia\u201d, vendo que sua m\u00e3e carregava seu irm\u00e3o no ventre. Sua av\u00f3 iniciou o seu treinamento na cartomancia, Magdalena tinha uma facilidade inata de interpretar as cartas e sua mem\u00f3ria surpreendia. O interesse pelo oculto afastou-a das atividades que tanto a prendiam ao pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos dez anos aprendeu com a av\u00f3 o manuseio das ervas, magias, segredos antigos, preces, encantamentos e rituais em um curto espa\u00e7o de tempo e com quatorze anos come\u00e7ou a auxiliar sua m\u00e3e na atividade de parteira; aprendendo rapidamente a amparar uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ano depois Madalena previu um terremoto que abalou Lisboa e arredores, o assunto foi levado ao conselho do acampamento que n\u00e3o lhe deu ouvidos por ser ainda muito jovem e porque somente os homens tinham o poder de decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu jeito intempestivo e sua sensibilidade medi\u00fanica causaram ci\u00fames entre as mulheres do acampamento. Seu pai temendo a Inquisi\u00e7\u00e3o achou melhor casa-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o cigana \u00e9 muito r\u00edgida no que diz respeito ao casamento, representa a continuidade de ra\u00e7a. Os acertos normalmente s\u00e3o feitos pelos pais dos noivos em fun\u00e7\u00e3o dos seus la\u00e7os familiares e condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. As mo\u00e7as ciganas s\u00e3o prometidas, desde muito novas, aos seus futuros noivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu pai Felipe fez acordo com o primo Henrique, que vivia em Lisboa, e tinha abandonado a vida andarilha para casar com uma crist\u00e3 e se converteu para evitar problemas com a inquisi\u00e7\u00e3o. Henrique teve um \u00fanico filho que se chamava Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe omitiu os poderes que Madalena vinha desenvolvendo para n\u00e3o haver restri\u00e7\u00f5es ao casamento e Henrique escondeu a sa\u00fade fr\u00e1gil do filho. Ela se casou aos 15 anos de idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estado de sa\u00fade de Jo\u00e3o foi se agravando. Foram solicitados os servi\u00e7os do barbeiro Sr Manoel Azevedo. Naquela \u00e9poca a profiss\u00e3o de barbeiro ia al\u00e9m de cortar cabelos. Os barbeiros e os cirurgi\u00f5es eram considerados uma s\u00f3 profiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa uni\u00e3o ela teve um filho e seu esposo veio a falecer dias depois do nascimento de Joaquim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meses passaram e Magdalena sentia-se sufocada diante da imposi\u00e7\u00e3o de seus sogros, que ficavam controlando sua conduta e diziam que tudo era pecado. Ambos n\u00e3o aceitavam seu car\u00e1ter independente e nem sua amizade com o barbeiro que se iniciou quando ela descobriu um segredo dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela n\u00e3o conseguia evitar o ass\u00e9dio de seus sogros que n\u00e3o a deixavam em paz enquanto n\u00e3o a vissem na igreja. Durante a missa seu filho chorou, o que a for\u00e7ou a\u00a0 sair para ficar nas proximidades da igreja. Foi a\u00ed que ouviu dois homens falarem sobre o barbeiro Manuel Azevedo, sentiu naquela conversa uma sensa\u00e7\u00e3o de perigo e resolveu avis\u00e1-lo. Chegando na barbearia ele estava tendo uma\u00a0 crise de epilepsia\u00a0 (naquela \u00e9poca um epil\u00e9tico era confundido com um possu\u00eddo pelo dem\u00f4nio). Magdalena prestou os primeiros socorros, mas logo em seguida chegou Neuza escrava alforriada que fazia o servi\u00e7o dom\u00e9stico para Azevedo. Neuza pediu a Magdalena que n\u00e3o contasse a ningu\u00e9m o que viu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Azevedo horas depois foi \u00e0 casa de Magdalena agradecer e percebendo uma bacia de \u00e1gua sobre a mesa descobre seus rituais ciganos. Eles come\u00e7aram\u00a0 a se proteger, ele sabia de seus dons de vid\u00eancia e ela da doen\u00e7a dele. Iniciam um relacionamento de amizade e cumplicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Madgdalena passou a auxiliar Neuza na tarefa de cuidar do segredo do barbeiro e ele a ensinava ler e escrever. Essa atividade estreitou ainda mais o relacionamento dos dois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trabalhou como costureira para pagar as despesas e alimentar a si e seu filho. Tempos depois de Magdalena deixar o luto, novamente um protegendo o outro, Sr. Azevedo pede sua m\u00e3o em casamento. Ela aceitou. Continuou prestando servi\u00e7os de costura aumentou suas habilidades criando uma pequena e fiel clientela, n\u00e3o queria ficar dependente financeiramente do esposo e\u00a0 passou a\u00a0 ajud\u00e1-lo no balc\u00e3o da barbearia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com seus dons medi\u00fanicos tem vis\u00f5es e pressentimentos. Pressentiu outro tremor de terra. Suas vis\u00f5es se concretizam e ela perdeu seu esposo e seu filho no terremoto. A partir da segunda viuvez tirou seu sustento com as costuras, com a pr\u00e1tica da leitura das cartas, com seus conhecimentos de ervas e parteira muito solicitado na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conviv\u00eancia que teve com Azevedo foi o suficiente para assimilar os m\u00e9todos de estudo das receitas que ele ministrava. Com a morte dele muitos enfermos iam pedir orienta\u00e7\u00e3o a ela e com\u00a0 seu cora\u00e7\u00e3o bondoso estava sempre disposta a ajudar .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conheceu Sr Tobias, homem de sa\u00fade fr\u00e1gil que tinha crises de depress\u00e3o. O empregado do Sr Tobias ficou sabendo dos dotes de Magdalena e a levou\u00a0 para cuidar dele que de in\u00edcio n\u00e3o aceitou e n\u00e3o queria pagar pelo servi\u00e7o. Ela assumiu cuidar dele mesmo sendo mal tratada e com o tempo o Sr Tobias afei\u00e7oou-se dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era vi\u00favo e sentia falta da esposa. A presen\u00e7a de dona Magdalena trouxe a ele uma qualidade melhor de vida. Mesmo sabendo que sua doen\u00e7a n\u00e3o tinha cura, quis agradece-la por ter despertado nele a esperan\u00e7a.\u00a0 Dona Magdalena apenas o ajudou a morrer com dignidade e menos tristeza. Sabia que pouco era seu tempo de vida ent\u00e3o desencarnou deixando Magdalena com uma situa\u00e7\u00e3o financeira melhor, o que acabou impulsionando sua vinda para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegando no Rio de janeiro, mudava de endere\u00e7o constantemente para proteger sua identidade, por isso o nome de Molambo da Estrada. Viveu um per\u00edodo em Quilombo nas vizinhan\u00e7as de Salvador onde ficou um bom tempo prestando servi\u00e7os a um convento. Nos quilombos viviam todas as pessoas exclu\u00eddas da sociedade (brancos pobres, ciganos, &#8230;) e n\u00e3o somente os escravos fugidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 80 anos de idade Dona Magdalena veio a falecer pr\u00f3ximo a Salvador, sendo recebida na espiritualidade pela sua av\u00f3. Durante sua vida aprendeu a dedicar-se \u00e0s pessoas e passou a fazer o mesmo na espiritualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje no CEJV, com sua vis\u00e3o mais ampla na espiritualidade e conhecimentos adquiridos, assumiu o papel de nos orientar, alertar com seus conselhos na nossa jornada f\u00edsica e medi\u00fanica enquanto encarnados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dona Madalena tem uma grande participa\u00e7\u00e3o nos trabalhos de harmoniza\u00e7\u00e3o e auxilia nos estudos comandados pelo Senhor Sete da Lira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 sempre nos estimulando a coragem, caridade e aprimoramento medi\u00fanico e com isso abrimos canais que aproxima de nossos mentores, realizando de forma verdadeira o que foi confiado a cada um de n\u00f3s, pois o trabalho medi\u00fanico consciente e respons\u00e1vel exercita a humildade e disciplina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela nos mostra que a mediunidade \u00e9 auxilio ao pr\u00f3ximo fazendo fluir de nosso intimo a esperan\u00e7a de um trabalho a cumprir, que \u00e0s vezes em nossa ignor\u00e2ncia e vaidade impede de enxergamos e acabamos deixando adormecido esquecendo que todos nos podemos ser \u00fateis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gra\u00e7as a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Entrevista feita pela m\u00e9dium V\u00e2nia Rodrigues em sess\u00f5es de Descarga ao longo do ano de 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo sobre dona Magdalena.[1] &nbsp; Dando continuidade aos estudos do&#8230; <\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-full-width.php","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.cejv.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4822"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.cejv.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.cejv.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.cejv.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.cejv.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4822"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.cejv.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4822\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4823,"href":"http:\/\/www.cejv.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4822\/revisions\/4823"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.cejv.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}