Mensagem do caboclo Sete Flechas em sessão de caboclo no dia 06 de dezembro de 2025.


Graças a Deus filhos.

Graças a Deus e que a paz de nosso senhor Jesus Cristo esteja com todos nesta tarde em que se reúnem em nome de Jesus.

Mais uma vez filhos congregam-se debaixo do teto de nosso templo, sobre o chão de nosso templo, a cumeeira e o chão vos dando o abrigo e que foi nos oferecido ao longo de todos os meses do ano de trabalho. Hoje, aqui estamos para um encerramento simbólico dos trabalhos, para que haja o descanso necessário do corpo mediúnico, para que possa a espiritualidade também preparar os direcionamentos do novo ciclo que se inicia e a própria matéria de filhos descansar da repetitiva excitação mediúnica, porque a mediunidade requer a excitação de vosso sistema nervoso, uma outra consciência assenhora-se de vossa própria e duas mentes operando no mesmo aparelho, tudo isso traz um uso e um natural cansaço, é necessário então um refazimento e é por isso que sempre se aconselha, que nestes momentos de afastamento, filhos sigam as suas vidas com normalidade, mas principalmente com equilíbrio.

Porque o médium, ele é um representante de sua divindade, do seu templo, de sua religião em qualquer momento de sua vida. Ele não é só médium, ele não é só responsável pelo seu templo quando endossa seu uniforme, quando coloca suas guias no pescoço, ele é o tempo inteiro cobrado pelo mundo espiritual e pelo mundo material. Suas atitudes são observadas e filhos esperam uma atitude digna, regrada, observam tudo isso para que filhos então sigam representando com harmonia, isso não significa que filhos não devem ser quem são,não significa que devem manter uma maquiagem moral, uma maquiagem de alegria ou de seriedade que não existe. Filhos precisam entender que todos seres humanos debaixo do olhar de Deus, debaixo do sol e da lua, nada fica inobservado, então filhos ao tempo, com o tempo se cansam da maquiagem que vestem e sempre a consciência aparecerá nas horas em que encontrar a seu escape. Isso será sempre nas horas de muita alegria, nas horas de tristeza, nas horas de ira, na hora em que a emoção se assenhora do ser humano, ali aparece a sua essência.

Então precisamos cultivar a boa essência e a boa essência se cultiva com exercício do bom caráter, com exercício da fraternidade, do equilíbrio, da amizade, do amor e tudo aquilo que carregamos e que não for condizente com isso faz parte de nossa essência. Não podemos esconder isso como uma sujeira que se coloca embaixo de um tapete ou que se guarda em um armário que ninguém vê, tudo isso faz parte e pode ser utilizado em momentos oportunos de maneira equilibrada para que se possa seguir sendo quem se é. Então que o ser humano, o médium auxiliar da espiritualidade jamais se envergonhe de quem é, mas que possa fazer de tudo que carrega consigo, instrumento de viver e de representação equilibrada de sua vida, ser exemplo de dignidade a todo momento, não mancomunar-se com o que é errado, não aplaudir o erro, não calar-se diante da injustiça, esse é o papel de não só um médium, mas de qualquer ser humano que vibre no que é justo e no que é bom.

Não permitir que o silêncio dos bons seja coadjuvante ou suporte para atuação do mal. Precisamos sim nos firmar e apontar o que é o erro, mas ao mesmo tempo apontar a solução, porque não adianta ficar dizendo que fulano é isso, que fulano é aquilo, que fulano é aquilo outro e sem com isso trazer qual seria a melhor saída para uma situação. Porque a crítica por si é muito fácil, é importante que saibamos no mesmo momento que criticamos apontar o caminho e saber também qual é o nosso papel, porque o nosso papel não é o de corrigir o mundo, mas é de ser a engrenagem que auxilia o mundo a girar. Não é aquele que é o porta voz da verdade, o baluarte da moral, dos bons costumes, de tudo que é correto. Sabemos que todo ser humano basta estar encarnado no mundo terra para ter dívidas com a lei, para ter dívidas com a consciência. Então que saibamos que ninguém é o porta voz da diretriz correta, isso faz parte do papel dos grandes mestres. Aí encontrando Jesus no alto de nosso altar e dentro do ápice de qualquer religião cristã, como exemplo, como símbolo a ser seguido. Então quando apontamos um erro, precisamos perguntar o que Jesus faria neste momento, qual seria a sua diretriz e não aquilo que eu acho que deveria ser certo e aí conseguiremos criticar com amor, agir com amor, julgar com amor, viver com amor.

Então que possamos nesse período em que o corpo repousa, mas que tudo se prepara para o porvir, um descansar que não é um ócio eterno, mas é uma preparação interna, um exercício de tudo aquilo que foi vivido para que não sejamos como os animais que estão contidos em sua jaula, as jaulas da religiosidade, do exercício mediúnico, da cobrança do templo, da cobrança dos irmãos e quando nos afastamos, em que essas jaulas se abrem, damos vazão a toda nossa animalidade, a todas as nossas incongruências, a tudo aquilo que precisamos viver, mas não podemos enquanto estamos dentro das amarras do terreiro. Precisamos entender que o tempo inteiro a espiritualidade nos observa, o mundo nos observa e nós mesmos nos observamos. Tudo é possível para o ser humano, nem tudo lhe é lícito, então sempre perguntem, o que Jesus faria e aí estará o caminho a ser seguido. Entender que uma coisa é informação, outra coisa é sabedoria, as duas coisas andam paralelas, lado a lado, uma alimentando a outra, mas não podemos viver só da informação, porque a informação é fria, está no livro, está nas referências que temos dos outros, mas a sabedoria nos ensina a dosar e a interpretar a informação que recebemos. A sabedoria vem da experiência, vivida com equilíbrio, com harmonia, com os perdões que temos que dar e receber.

Então que possamos lidar com a informação que absorvemos, mas ter a sabedoria para podermos fazer da vida como uma comida bem temperada. Porque informação é saber que o tomate é uma fruta, mas a sabedoria é saber que não posso mistura-las com outras para alimentar-me, ele faz parte da culinária de sal e isso é que é válido de saber. Conhecermos o que é uma fruta, o que é um tempero, ir além disso é extrapolar, quem são os seres humanos que conosco atuam, porque não existe criatura humana incapaz de fazer o bem e muitas vezes olhamos para as pessoas e dizemos: “é um entojo”, “tenho ranço”, “não gosto”, “não quero”, mas não existe criatura de Deus que não tenha amor em si e que não seja útil para alguma coisa. Que consigamos extrair das pessoas o melhor que elas têm apesar do nosso ranço, apesar da dificuldade, esse é o nosso papel, foi isso que Jesus fez, pegou homens letrados, homens brutos transformou em seres humanos que curavam, que faziam milagres.

Então toda criatura é capaz de produzir, de dar e de ser amor. Façamos nós a nossa parte, extraindo delas o melhor porque nós também causamos ranço em alguém. Então que saibamos o nosso papel, não é o de mudar o mundo é o de ser engrenagem, fazer parte da engrenagem que move o mundo.

Graças a Deus.